Que 2011 nos traga a criatividade e sensibilidade, além da Saúde, da Alegria, da Paz e do Amor, que precisamos para enfrentar o que a Vida nos vai pedir.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
terça-feira, dezembro 28, 2010
«Apenas uma crise de crescimento» [?!?!]
«Apenas uma crise de crescimento»
Por José Vitor Malheiros, in PÚBLICO, 28/12/2010
Os números do défice e da dívida e os indicadores económicos não encorajam qualquer optimismo, apesar de as exportações se estarem a portar melhor do que se esperava e de, nestes dias de fim de ano, ser tradicional expressar votos de prosperidade para 2011 com o mais cândido dos sorrisos afivelado na face.
A verdade é que os juros da dívida crescem mais depressa do que a nossa capacidade de a pagar e o buraco em que nos encontramos é cada vez maior. Como os juros aumentam, devemos cada vez mais. Como devemos cada vez mais, os juros aumentam. Como devemos cada vez mais e os juros aumentam, as agências de rating baixam-nos a classificação, o que faz os juros subir e a dívida aumentar. Ao círculo vicioso sucede-se a espiral infernal. Os especuladores esfregam as mãos de contentes, mas os especialistas garantem-nos que eles têm uma função higiénica essencial à vida económica (como as hienas que comem os animais doentes), o que significa que o sistema caminha para um rápido saneamento e que todo este panorama é apenas um passo doloroso mas necessário.
O que sabemos é que, depois desta crise, o nosso país será um lugar mais eficiente, a nossa economia será mais robusta, a nossa administração pública será mais magra e mais rápida, as empresas que não têm direito à vida terão desaparecido, as outras pagarão muito menos impostos e salários mais baixos, o euro talvez tenha desaparecido (o que apenas significará que não devia ter nascido), a ideia de uma Europa solidária ter-se-á desvanecido (o que quererá dizer que afinal era só um conto de Dickens), só haverá reivindicações laborais nos filmes e o Estado social será uma memória vaga. Será maravilhoso para os ricos.
As únicas entidades que poderão sair prejudicadas serão as pessoas, mas essas são substituíveis: há sempre pessoas novas a nascer, a crescer e à procura de trabalho e dispostas a aceitar relações de trabalho muito mais flexíveis. Os historiadores olharão para trás e verão a crise de 2008-2018 em Portugal apenas como uma crise de crescimento que serviu para fortalecer as empresas, a economia, os mercados financeiros, a banca, as lideranças empresariais e os serviços de segurança.
Se a crise serviu para alguma coisa foi para compreender que as pessoas estavam a ter salários demasiado altos, impostos demasiado baixos, demasiada estabilidade de emprego, demasiados serviços públicos, demasiada liberdade, saúde e educação de excessiva qualidade e juros demasiado baixos nos empréstimos bancários.
E, não havendo possibilidade de dissolver o povo, como Brecht sugeria, o Governo tentou pelo menos reduzi-lo à sua justa dimensão. A dura verdade é que o povo faz menos falta do que os bancos. Mais: o povo não só não faz falta como dá muita despesa. Como seríamos prósperos se fôssemos só os 5 milhões que os finlandeses são! Se pudéssemos dissolver os 5 milhões de portugueses menos letrados e mais velhos (que gastam uma fortuna em subsídios, em reformas, em saúde), seríamos um dragão, um tigre, um furão.
Não há razões para pensar que o país não é viável. Os testes de stress feitos ao sistema financeiro deram excelentes resultados. A economia reanima-se e as exportações dão sinal disso. Temos indicadores de inovação extraordinários. Todos os nossos ministros das Finanças sem excepção sabem qual é a receita para recuperar a economia. Basta ouvi-los. Todos eles sem excepção sabem que fizeram sempre tudo bem. Os dirigentes políticos também. Os do Governo e os da oposição. Os banqueiros sabem que sempre fizeram tudo bem. Todos sabem que são perfeitos. As nossas elites sabem que são esclarecidas, brilhantes, iluminadas e outras coisas com luz. O país é viável! O povo é que não é, mas já estamos a tratar desse pormenor. (jvmalheiros@gmail.com)
Por José Vitor Malheiros, in PÚBLICO, 28/12/2010
Os números do défice e da dívida e os indicadores económicos não encorajam qualquer optimismo, apesar de as exportações se estarem a portar melhor do que se esperava e de, nestes dias de fim de ano, ser tradicional expressar votos de prosperidade para 2011 com o mais cândido dos sorrisos afivelado na face.
A verdade é que os juros da dívida crescem mais depressa do que a nossa capacidade de a pagar e o buraco em que nos encontramos é cada vez maior. Como os juros aumentam, devemos cada vez mais. Como devemos cada vez mais, os juros aumentam. Como devemos cada vez mais e os juros aumentam, as agências de rating baixam-nos a classificação, o que faz os juros subir e a dívida aumentar. Ao círculo vicioso sucede-se a espiral infernal. Os especuladores esfregam as mãos de contentes, mas os especialistas garantem-nos que eles têm uma função higiénica essencial à vida económica (como as hienas que comem os animais doentes), o que significa que o sistema caminha para um rápido saneamento e que todo este panorama é apenas um passo doloroso mas necessário.
O que sabemos é que, depois desta crise, o nosso país será um lugar mais eficiente, a nossa economia será mais robusta, a nossa administração pública será mais magra e mais rápida, as empresas que não têm direito à vida terão desaparecido, as outras pagarão muito menos impostos e salários mais baixos, o euro talvez tenha desaparecido (o que apenas significará que não devia ter nascido), a ideia de uma Europa solidária ter-se-á desvanecido (o que quererá dizer que afinal era só um conto de Dickens), só haverá reivindicações laborais nos filmes e o Estado social será uma memória vaga. Será maravilhoso para os ricos.
As únicas entidades que poderão sair prejudicadas serão as pessoas, mas essas são substituíveis: há sempre pessoas novas a nascer, a crescer e à procura de trabalho e dispostas a aceitar relações de trabalho muito mais flexíveis. Os historiadores olharão para trás e verão a crise de 2008-2018 em Portugal apenas como uma crise de crescimento que serviu para fortalecer as empresas, a economia, os mercados financeiros, a banca, as lideranças empresariais e os serviços de segurança.
Se a crise serviu para alguma coisa foi para compreender que as pessoas estavam a ter salários demasiado altos, impostos demasiado baixos, demasiada estabilidade de emprego, demasiados serviços públicos, demasiada liberdade, saúde e educação de excessiva qualidade e juros demasiado baixos nos empréstimos bancários.
E, não havendo possibilidade de dissolver o povo, como Brecht sugeria, o Governo tentou pelo menos reduzi-lo à sua justa dimensão. A dura verdade é que o povo faz menos falta do que os bancos. Mais: o povo não só não faz falta como dá muita despesa. Como seríamos prósperos se fôssemos só os 5 milhões que os finlandeses são! Se pudéssemos dissolver os 5 milhões de portugueses menos letrados e mais velhos (que gastam uma fortuna em subsídios, em reformas, em saúde), seríamos um dragão, um tigre, um furão.
Não há razões para pensar que o país não é viável. Os testes de stress feitos ao sistema financeiro deram excelentes resultados. A economia reanima-se e as exportações dão sinal disso. Temos indicadores de inovação extraordinários. Todos os nossos ministros das Finanças sem excepção sabem qual é a receita para recuperar a economia. Basta ouvi-los. Todos eles sem excepção sabem que fizeram sempre tudo bem. Os dirigentes políticos também. Os do Governo e os da oposição. Os banqueiros sabem que sempre fizeram tudo bem. Todos sabem que são perfeitos. As nossas elites sabem que são esclarecidas, brilhantes, iluminadas e outras coisas com luz. O país é viável! O povo é que não é, mas já estamos a tratar desse pormenor. (jvmalheiros@gmail.com)
sábado, dezembro 18, 2010
«O perigo de uma única história» CHIMAMANDA ADICHIE
Dá mesmo que pensar!! Super interessante:
http://aprender-tic-educaoparaapaz.blogspot.com/2010/12/o-perigo-da-historia-unica.html
http://aprender-tic-educaoparaapaz.blogspot.com/2010/12/o-perigo-da-historia-unica.html
segunda-feira, dezembro 13, 2010
sexta-feira, dezembro 10, 2010
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Uma ingénua na Dinamarca!!
Sistemas de controlo nos aeroportos - para segurança...
... numa viagem curta, de 50 minutos, trajecto nacional, entre Aalborg e Copenhagen, tal como nos voos longos, fui sujeita aos controlos de segurança dos scanners como é habitual. Comecei por ter que voltar atrás e expedir a bagagem de mão - senti-me muito saloia, como se fosse a primeira vez - há sempre uma primeira vez para tudo - que estivesse a andar de avião: esqueci-me completamente que não se pode viajar com recepientes de líquidos ou pomadas com mais do que 100ml na bagagem de mão. E, como sou uma mocinha muito poupadinha, ele era água de colónia, shampoo, sabonete líquido - todos aqueles produtos que usamos em casa, as nossas marcas preferidas e que nos fazem sentir mais confortáveis, mas nós mesmas. Não podia deixar que no scanner me deitassem todos estes preciosos líquidos fora ... para eles não valem nada, mas para mim são preciosos. Como poderia eu sobreviver três dias sem eles? O que vale é que o aeroporto é pequenino: fui a correr ao balcão do chek-in para despachar a mochila. Tudo gente simpática e compreensível, com tempo de sora para voltar ainda atrás e tratar de tudo tranquilamente. Tudo certo!! O Sr. do scanner, simpático, nem quis voltar a ver o meu cartão de embarque.
But / mas ... e há sempre um "mas" ... esqueci-me que tinha uma bisnaga de creme para as mãos na mala. Uma bisnaga, que não estando cheia, diz por fora "150mg" - mais 50% do que é autorizado!! ... pronto, simpaticamente a funcionária, do outro lado do scanner, lá me disse que não podia entrar com a dita bisnaga e que ela tinha que a deitar fora. Pronto nada a fazer! Não faço nenhuma questão nestas situações. O esquecimento fora meu! Lá se foi metade da bisnaga do meu precioso creme de mãos.
Entrei para o espaço das salas de embarque, ainda com tempo mais do que suficiente e dirigi-me à loja. Estão a ver qual não foi o meu espanto, não estão? ... havia à venda, bisnagas de creme, exactamente iguais à que tinha acabado de deixar no scanner! ... senti-me injustiçada: serão estas medidas mesmo medidas de segurança? ou serão antes medidas para promover a venda de produtos nas lojas que ficam nas zonas de embarque? ... quem sai beneficiado com este tipo de medidas? como podem eles garantir que os produtos à venda nestas lojas foram todos revistos e passados a pente fino? ... como é que aquelas bisnagas à venda nestas lojas, em metal, iguazinhas à minha, puderam ser mais revistas do que a minha?
Alguém quer ter a gentileza de me explicar estas medidas de uma forma clara e simples, como se eu fosse muito, muito burra?
... e assim se vai perdendo a ingenuidade!! ... há sempre outras razões para além daquelas que nos querem fazer crer!! Cumprem-se as regras do jogo, mas podemos criticá-las!!
[Escrito no dia 3/12/2010]
... numa viagem curta, de 50 minutos, trajecto nacional, entre Aalborg e Copenhagen, tal como nos voos longos, fui sujeita aos controlos de segurança dos scanners como é habitual. Comecei por ter que voltar atrás e expedir a bagagem de mão - senti-me muito saloia, como se fosse a primeira vez - há sempre uma primeira vez para tudo - que estivesse a andar de avião: esqueci-me completamente que não se pode viajar com recepientes de líquidos ou pomadas com mais do que 100ml na bagagem de mão. E, como sou uma mocinha muito poupadinha, ele era água de colónia, shampoo, sabonete líquido - todos aqueles produtos que usamos em casa, as nossas marcas preferidas e que nos fazem sentir mais confortáveis, mas nós mesmas. Não podia deixar que no scanner me deitassem todos estes preciosos líquidos fora ... para eles não valem nada, mas para mim são preciosos. Como poderia eu sobreviver três dias sem eles? O que vale é que o aeroporto é pequenino: fui a correr ao balcão do chek-in para despachar a mochila. Tudo gente simpática e compreensível, com tempo de sora para voltar ainda atrás e tratar de tudo tranquilamente. Tudo certo!! O Sr. do scanner, simpático, nem quis voltar a ver o meu cartão de embarque.
But / mas ... e há sempre um "mas" ... esqueci-me que tinha uma bisnaga de creme para as mãos na mala. Uma bisnaga, que não estando cheia, diz por fora "150mg" - mais 50% do que é autorizado!! ... pronto, simpaticamente a funcionária, do outro lado do scanner, lá me disse que não podia entrar com a dita bisnaga e que ela tinha que a deitar fora. Pronto nada a fazer! Não faço nenhuma questão nestas situações. O esquecimento fora meu! Lá se foi metade da bisnaga do meu precioso creme de mãos.
Entrei para o espaço das salas de embarque, ainda com tempo mais do que suficiente e dirigi-me à loja. Estão a ver qual não foi o meu espanto, não estão? ... havia à venda, bisnagas de creme, exactamente iguais à que tinha acabado de deixar no scanner! ... senti-me injustiçada: serão estas medidas mesmo medidas de segurança? ou serão antes medidas para promover a venda de produtos nas lojas que ficam nas zonas de embarque? ... quem sai beneficiado com este tipo de medidas? como podem eles garantir que os produtos à venda nestas lojas foram todos revistos e passados a pente fino? ... como é que aquelas bisnagas à venda nestas lojas, em metal, iguazinhas à minha, puderam ser mais revistas do que a minha?
Alguém quer ter a gentileza de me explicar estas medidas de uma forma clara e simples, como se eu fosse muito, muito burra?
... e assim se vai perdendo a ingenuidade!! ... há sempre outras razões para além daquelas que nos querem fazer crer!! Cumprem-se as regras do jogo, mas podemos criticá-las!!
[Escrito no dia 3/12/2010]
quarta-feira, dezembro 01, 2010
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