segunda-feira, janeiro 28, 2013

"Como nos vamos mascarar?" ou a "criação conjunta" entre professora e alunos


Adoro festas, a boa disposição, no que incluo as brincadeiras do Carnaval: fazem-me voltar à minha infância, ao mágico da fantasia, da imaginação, das brincadeiras e das partidas inofensivas anónimas, ao riso ingénuo e despreocupado, só pelo prazer de rir. A criança que trago em mim, volta a sentir-se feliz!!

Preparava-me para começar a pensar no Carnaval com os meus alunos sobre as várias histórias que temos lido e a viagem fantástica, a "viagem imaginária" (como eles gostam de dizer), que temos feito, quando soube que lá na escola, cada turma, no desfile da escola, se mascara de acordo com o tema respetivo. No nosso caso (o 1.º D), a viagem de Vasco da Gama.

Tenho andado a dar voltas à cabeça para ver que proposta haveria de fazer aos meus alunos e aos seu pais, de modo a nos divertirmos e a não gastar muito dinheiro, nem a dar muito trabalho. Não me surgia nada de muito inspirador.

Tal como já tenho feito noutras situações parecidas, resolvi colocar a questão aos meus alunos - estamos a duas semanas do Carnaval e é preciso "deitar mãos à obra". Hesito sempre em lançar este desafio a mim própria: "são meninos do primeiro ano, ainda novinhos, ..." - o desafio de ouvir os meus alunos e nos deixarmos inspirar, uns aos outros com as ideias e imagens que vão sendo lançadas no grupo (tipo "brainstorming" ou tempestade de ideias). Mas quando o faço e deixo que a conversa e as ideias vão desfilando, saio sempre surpreendida e feliz com os resultados.

Foi o que aconteceu ontem (25 / 1 / 2013): expliquei-lhes como costumava ser o Carnaval na escola, que nos deveríamos cingir à viagem de Vasco da Gama, à história que já conheciam, e começaram a nascer as ideias do que se poderão mascarar. Foram várias as ideias lançadas, desde os piratas ao samurim de Calcute, aos marinheiros e gurmetes, passando pela população da Índia (sobretudo a pensar nas meninas) que recebeu o Vasco da Gama na Índia, até ao próprio Vasco da Gama, ... Não é fantástico? .... :-)

Ficaram de pensar no fim-de-semana no que querem mascarar-se este ano, depois de voltarem a ver a história do Vasco da Gama, que está no blog. Na segunda feira, vamos então fazer a lista do que cada um se vai mascarar. Fiquei descansada e muito mais confiante na capacidade dos meus alunos, mesmo que pequeninos. Alguma coisa vai daqui sair, certamente.

domingo, janeiro 27, 2013

" Tempo Perguntou Ao Tempo" Tucanas no Teatro da Luz

Na semana em que chegou "o tempo que já tardava" ...
"O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo, que tem tanto tempo quanto o tempo tem."

terça-feira, janeiro 22, 2013

90º aniversários de Eugénio de Andrade (1923 - 2005)

Homenagem: Eugénio de Andrade faria 90 anos a 20 / 1 / 2014



"É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer."

terça-feira, janeiro 15, 2013

O professor (by Valter Hugo Mãe)

[Texto maravilhoso que me chegou via mail. Jornal de Letras, 19 de setembro de 2012]

Os Professores | Valter Hugo Mãe

Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade.

A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria do mundo em que o mundo se tem vindo a tornar.

Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe.

Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo.

Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes.

Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se tivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível.

Dá-me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias.

Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto.

As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se.

sábado, janeiro 12, 2013

Grids

Guimarães, abril 2012

Há grades "lindas" - somos nós que escolhemos olhá-las por dentro, ou por fora, em liberdade ... 

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Entrei no café com um rio na algibeira

[Encontrado em: http://ruadaindia.blogspot.pt/2012/12/poemario-de-ano-novo.html
Muito obrigado, CCF! ... :-) ]

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

sábado, janeiro 05, 2013

"Os nomes e as coisas", por V.Soromenho Marques

Viriato Soromenho Marques (DN, 4/1/2013): "(...) Chamamos Governo a um grupo de pessoas eleitas por se terem destacado na luta contra as medidas de austeridade do anterior Governo, mas que agora atuam como delegados do poder efetivo dos credores externos. Um Governo que prefere enfrentar os parceiros sociais e os cidadãos comuns a dialogar prudencialmente com a troika. Este é um tempo em que as coisas mudam rapidamente de forma e lugar. Às vezes ficamos sozinhos. Com palavras vazias. (...) "

Para ler artigo completo: http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2975501&seccao=Viriato%20Soromenho%20Marques&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco