sexta-feira, julho 25, 2014

Homenagem ...

"Não dá para mudar o começo mas ainda dá para mudar o final"

Uma homenagem a todas as crianças, crianças vítimas da guerra, crianças que morrem a brincar na praia, no campo, na cidade, ...



Imagem: O artista israelita Amir Schiby presta homenagem aos 4 rapazes palestinos mortos na praia por Israel. Os seus nomes Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.

Através de Raquel Varela


L'artiste israélien Amir Schiby rend hommage aux quatre enfants palestiniens tués sur une plage de Gaza par une frappe israélienne.

Ahed Atef Bakr, Zakaria Ahed Bakr, Mohamed Ramez Bakr et Ismael Mohamed Bakr.

Shame!! (Cartoon by Luís Afonso)

In http://www.publico.pt/, 24/07/2014

Nota: Título dado por mim.

segunda-feira, julho 21, 2014

"It's in our hands!!" - Todos contra a PACC! - Links (em atualização)


Última atualização: 15h42, 21/07/2014

DESTAQUE
Niza, S. (2014). "Examinar e Punir" - http://www.facebook.com/notes/movimento-da-escola-moderna/examinar-e-punir/687280831317113


FENPROF (21/07/2014): "MEC recorre a pressão e empurra escolas para que cometam grave ilegalidade" - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=8800

Blog de Arlindo: "Divulgação: Iniciativas contra a PACC" - http://www.arlindovsky.net/2014/07/divulgacao-iniciativas-contra-a-pacc/

FENPROF: "Professores disponíveis para participarem nas reuniões sindicais convocadas para 22 de julho" - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=8793 

PÚBLICO, 20/7/2014: "Afinal, o que é que um professor tem que saber para dar aulas" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/afinal-o-que-e-que-um-professor-tem-de-saber-para-dar-aulas-1663559

Pacheco Pereira (19/7/2014): "Voltamos à moralidade ou à falta dela" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/voltamos-a-moralidade-ou-a-falta-dela-1663486
"Se houver sarillhos é porque andaram a pedi-los."

FENPROF: "Educação reprova a PACC" - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=284&doc=8099

Parlamento Global, 18/12/2013 - "Foram muitos os professores que reprovaram" - http://parlamentoglobal.sic.sapo.pt/140886.html

PÚBLICO, 19/12/2013 - Greve, protestos, boicotes e lágrimas no dia da prova para professores - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/greve-protestos-boicotes-e-lagrimas-no-dia-da-prova-para-professores-1616854#/0

IE - UL - contra a PACC - http://www.ie.ul.pt/portal/page?_pageid=406%2C1809679&_dad=portal&_schema=PORTAL

PÚBLICO, 17/12/2013 - "José Luís Paixoto, que já oi professor contratado, é contra a prova" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/jose-luis-peixoto-o-escritor-que-ja-foi-professor-contratado-esta-contra-a-prova-1616641?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoEducacao+%28Publico.pt+-+Educa%C3%A7%C3%A3o%29

SPGL - Esclarecimentos sobre as providências cautelares acerca da realização da PACC:  http://www.spgl.pt/artigo.aspx?sid=8641eed3-9e91-4dd1-9c4d-f890d37ad4f8&cntx=i60NXmdb4fvCM%2FWGDgpiZm9kEj0jIYCqZFEVq9xVAaz50Ul2MALQd%2FzYkP3Sf%2FLB

Parecer da ARIPESE (Associação das Escolas Superiores de Educação) - http://correntes.blogs.sapo.pt/1904357.html

FENPROF - "Chumbar a prova é ...." - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=8066 

SPGL - Escusa de tarefas na realização da prova - http://www.spgl.pt/artigo.aspx?sid=0faf0693-04ef-40f5-9877-c9a64312885a&cntx=DDRO%2B0GAbA98Db1YrXBC9oM3EBl4ibWnIfeT44ZlsboMsvdLQlj3Ae89oiPOGfzE

Mais uma posição contra a PACC - http://www.facebook.com/animajar/posts/10201060164496767

FENPROF na Assembleia da República: "Dando continuidade à luta contra a 'prova de ingresso' e tudo fazendo para impedir a sua realização" - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=7985


Esquerda.net, 17/11/2013, "Professores queimam diplomas contra prova de avalação" - http://www.esquerda.net/artigo/professores-queimam-diplomas-em-protesto-contra-prova-de-avalia%C3%A7%C3%A3o/30258#.UoiYLIrHJBM.facebook

RTP, SIC, TVI, noticiários sobre a manifestação de 16/11/2013 - http://www.youtube.com/watch?v=Ytrf2dJGuLs&feature=em-uploademail

PÚBLICO sobre a manifestação de 16/11/2013 - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/professores-contratados-queimam-certificados-de-habilitacoes-em-protesto-contra-nova-prova-de-conhecimentos-1612804#/0

FENPROF anuncia suspensão da prova de acesso à carreira: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=129477 

PÚBLICO, 15/11/2013, "Tribunais aceitam providência cautelares para travar exames a professores" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/tribunais-aceitam-providencias-cautelares-para-travar-exames-a-professores-1612692

Manifestação, sábado, 16/11, S. Bento - http://www.facebook.com/events/355537451247359/

Tomada de Posição da Escola Superior de Educação de Portalegre - http://www.linhasdeelvas.net/pagina/edicao/4/2/noticia/13752#.UoJZILNu9W8.facebook

Página no Facebook "Todos contra a Prova" (já tem mais de 21 000 "likes") - http://www.facebook.com/todoscontraprova

Professora processa o MEC - http://www.facebook.com/notes/elizabeth-ribeiro/quero-processar-o-estado-minist%C3%A9rio-de-educa%C3%A7%C3%A3o-e-ci%C3%AAncia/778407842176025

"Blog do Arlindo" com informação atualizada - http://www.arlindovsky.net/

Artigo de Opinião, por Mara Pereira (11/11/2013) - http://ipressglobal.com/mara-pereira-em-docentes-a-prova-para-provar-o-que/

"Humilhação da classe docente!" - http://www.dn.pt/inicio/opiniao/jornalismocidadao.aspx?content_id=3534020&page=-1

Just arriving

Deserto do Hogar, Argélia
abril 2007

segunda-feira, julho 14, 2014

No rescaldo das provas finais de ciclo, aka, exames

[Última atualização: 15 de Julho de 2014, às 22h58]


Aldrabas os exames os exames à vontade do dono -
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/albardar-os-exames-a-vontade-do-dono-1695893


Voltando a um excelente artigo de Daniel Oliveira, já de maio 2013: "As saudades da antiga 4.ª classe" - http://expresso.sapo.pt/as-saudades-da-antiga-4-classe=f805569#ixzz2SmYFcFoy



"Há uma legião de jovens em grande sofrimento e a precisar de ajuda" (PÚBLICO, 13/07/2014) - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/ha-uma-legiao-de-jovens-em-grande-sofrimento-e-a-precisar-de-ajuda-1662634

"Provas finais do 1.º CEB: pior do que os exames no meu tempo" - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/provas-finais-do-1%C2%BA-ceb-pior-do-que-os-exames-no-meu-tempo/10152197472777144

SPGL: Um conjunto de textos para nos fazer pensar de várias proveniências (Paulo Sucena, Ana Benavente, Rui Trindade, Ariana Cosme, Rita Gorgulho, Manuela Esteves, Helena Amaral, ...): http://issuu.com/spglpublicacoes/docs/provas_de_avaliac__a__o_4___ano

PÚBLICO, 13/06/2014, "Professores de Matemática defendem o final dos exames do 4.º e 6.º anos" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/professores-de-matematica-defendem-fim-dos-exames-nacionais-no-4%C2%BA-e-6%C2%BA-anos-1639768

Tempo de Teia (Teresa Martinho Marques) - http://tempodeteia.blogspot.pt/2014/06/notas-dos-4-e-6-anos-subiram-portugues.html

PÚBLICO, 10/06/2014, (Cristina L. Martins Halpern), Notas de biologia aplicadas aos exames nacionais do 4.º ano - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/notas-de-biologia-aplicadas-aos-exames-nacionais-do-4%C2%BA-ano-por-cristina-l-martin/10152242610817144

PÚBLICO, 24/05/2014, "Analista da OCDE defende que exames do 4.º ano têm potencial de exclusão social" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/analista-da-ocde-defende-que-exames-de-4%C2%BA-ano-tem-potencial-de-exclusao-social-1637322

FENPROF, 21/05/2014, NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FENPROF - EXAMES DO 4.º ANO - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/nota-%C3%A0-comunica%C3%A7%C3%A3o-social-da-fenprof-exames-do-4%C2%BA-ano/10152202025822144


Crédito da imagem de: http://tempodeteia.blogspot.pt/2014/06/notas-dos-4-e-6-anos-subiram-portugues.html

The full moon - on the top

Deserto do Hogar, Argélia
abril 2007

sábado, julho 12, 2014

A Escola VS "os guardiões de templos"

Vivemos no meio da hipocrisia dos "guardiões de templos", sejam eles quais forem, quer sejam eles os da moral e bons costumes, quer sejam os da correção ortográfica ou ainda os da correta expressão matemática (como se existisse apenas uma matemática, a matemática escolar). Sinto um enorme desconforto relativamente a tudo o que conduza a uma visão única, uma visão "eurocêntrica": os que fazem bem e o sabem fazer, e os que fazem mal e não sabem fazer. São os "guardiões", os "donos", da "epistemologia do norte", que se arrogam como detentores da verdade, contra as "epistemologias do sul", de que falava esta semana Boaventura Sousa Santos (2014) (ver abaixo).

A escola e muitos professores têm uma especial apetência para se assumirem como "guardiões do templo" de uma cultura (e também de interesses) dominantes, como nos tem mostrado a sociologia da educação desde a década de 70, do século passado. Não me ponho de fora, de modo algum. Apenas procuro manter-me lúcida e eleger alguns fatores que me ajudem a manter a clarividência, quer através da minha experiência, quer através do que outros têm escrito e estudado. A forma como se lida com a ortografia na escola, ainda mais depois do novo acordo ortográfico e de toda a discussão que se tem gerado à sua volta, do meu ponto de vista, ilustram bem esta questão, a sempre assumida necessidade (por parte da cultura escolar) da solução correta e única, como que a dizer quem pode ficar "dentro" (quem pode pertencer ... vá-se lá saber a quê?!?) e quem deve ficar de "fora" (quem não tem ali lugar, quem deve ser descriminado ...). Será esta uma necessidade da sociedade em geral? ... como a sociedade não é uniforme e é composta por diversos grupos sociais, esta forma de atuar serve que grupos sociais?



Mais uma vez vem isto a propósito de um "Ai!! que horror!", por ter escrito "facto", de acordo com a grafia do Brasil, sem o "c". Para mim, enquanto professora, mais do que a correta ortografia - neste caso concreto até existem as duas grafias - o que está em causa, e me choca, é a não aceitação da possibilidade de convivermos com mais do que uma "verdade", a necessidade expressa da existência de "um certo" e de "um errado", único, como se a escola se reduzisse a essa função certificadora de verificação, de marcar "certos" ou "errados" (um papel mesquinho e pequenino), esquecendo o seu papel educativo maior, como espaço de socialização que é. Um espaço social onde convivem muitos e muitas, com origens sociais e culturais várias, onde se pode aprender tanto com a riqueza da diversidade de uns e de os outros - não será esta uma escola muito mais interessante, desafiadora e motivadora para tod@s? Para os alunos e as alunas, para os professores e as professoras, para as famílias, para os/as auxiliares (assistentes operacionais), ...?

Os exames, os programas, conduzem-nos diretamente à "redução", à pobreza cultural da escola. Somo nós "Educadores", na verdadeira aceção da palavra, que devemos ser os principais resistentes a este "Back to basics", a esta consistente "redução" das políticas utilitaristas e neoliberais que nos querem impor e nos (des)governam.


A não perder:

Great wonders: natural sculptures

Deserto do Hogar, Argélia
abril 2007

domingo, julho 06, 2014

Municipalização das Escolas: "Estão a fechar o meu país!!"

[Última atualização: 13/07/2014, 00h19]

Estão a fechar o meu país!!
Primeiro pagaram para arrancar vinhas, para deixar os campos em pousio, sem serem cultivados; agora pagam para diminuir o número de professores, para acabar com a "Escola para TODOS/AS" ... conforme está consagrado na nossa constituição e na Lei de Bases do Sistema Educativo ... parece que andam a vingar-se de alguma coisa, de algum mal que lhes fizeram ... é insanidade e malvadeza a mais! Não podemos deixar!!


"Com a Municipalização, as escolas passam a fazer as turmas e mais nada", Paulo Guinote (12/07/2014) - http://educar.wordpress.com/2014/07/12/com-a-municipalizacao-as-escolas-passam-a-fazer-as-turmas-e-mais-nada/

Paulo Guinote (PÚBLICO, 9/7/2014) - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/quanto-vale-meio-professor-1662066?page=-1 


José Morgado (7/7/2014) - http://atentainquietude.blogspot.pt/2014/07/municipalizacao-das-escolas-o-essencial.html

SPGL - http://www.spgl.pt/municipalizacao-da-educacao

SPN - http://www.spn.pt/?aba=27&cat=213&doc=3772&mid=115

Professores de Matosinhos tomam posição (9/7/2014) - http://www.spn.pt/?aba=27&mid=115&cat=213&doc=3764 

Sindicato dos Professores do Norte - http://www.spn.pt/?aba=27&mid=115&cat=174&doc=376

Página da FENPROF sobre este assunto, com documentos do governo - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=226&doc=8762

Manuel Brandão Alves,"Areia dos Dias" (6/7/2014) - http://areiadosdias.blogspot.pt/2014/07/fechou-e-foi-vendido.html

Manuela Silva, "Areia dos Dias" (5/7/2014) - http://areiadosdias.blogspot.pt/2014/07/sobre-deriva-municipalista-da-educacao.html

... neste link encontra mais notícias sobre a municipalização das escolas, a partir do blogue "A Educação do meu umbigo":

http://educar.wordpress.com/category/municipalizacao/

Para saber mais aqui neste blogue:
http://abeirario.blogspot.pt/search/label/Municipaliza%C3%A7%C3%A3o%20das%20escolas


«Ministério da Educação propõe prémios para escolas que trabalhem com menos professores», por PÚBLICO

Esta notícia poderia ter outros títulos:
"As escolas podem até funcionar sem professores"
ou ...
"Quando a insanidade chega à 'governança' educativa"

Texto da Direção Editorial do PÚBLICO sobre esta notícia: http://abeirario.blogspot.pt/2014/07/a-educacao-jogar-ao-monopolio-por.html

In PÚBLICO, 5/7/2014
«“Perigosa” e “desnecessária” é a forma como os dirigentes escolares qualificam a proposta de “municipalização” das escolas que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem vindo a negociar com os autarcas de vários concelhos do país.
Tal como o PÚBLICO noticiou na sexta-feira, a proposta de descentralização de competências na área da educação ao nível do básico e do secundário confere aos municípios um papel interventivo na definição da oferta curricular das escolas, dentro das balizas estabelecidas a nível central, assumindo as autarquias totais responsabilidades pelo pessoal não docente e, nalguns casos, também pelos professores. Uma das novidades presentes na proposta é o chamado "factor de eficiência” que premeia as câmaras que trabalhem com um número de docentes inferior ao tido como necessário para o respectivo universo escolar.
Assim, num município em que o número de docentes necessários seja, por exemplo, de 400, mas em que o número real de docentes seja 399, a autarquia passaria a receber um “prémio” de 12.500 euros por ano lectivo. Isto assumindo que esse docente custaria por ano ao ministério 25 mil euros, o custo estimado para um professor em início de carreira.
Essa partilha em 50% do diferencial aplicar-se-ia apenas nos casos em que tal diferença não seja superior a 5% dos docentes considerados necessários. Por outro lado, a partilha do “lucro” só se aplicará caso os resultados escolares não tenham piorado relativamente ao ano anterior.
Pelo contrário, os casos em que o número de docentes ao serviço esteja mais de 5% acima dos tidos como necessários, obrigarão a uma “análise detalhada” por parte de uma comissão de acompanhamento. A filosofia subjacente é ligar a componente de financiamento “à boa gestão dos recursos docentes”.
Trata-se de uma aritmética que “permitirá aos municípios trocar professores em troca de dinheiro”, critica Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), para quem se trata de uma proposta “no limite, muito perigosa”, porque poderia levar alguns autarcas a “criar turmas de 30 alunos para conseguirem poupar nos professores e amealhar mais dinheiro”. O líder da Fenprof, Mário Nogueira, também considera que este “factor de eficiência” tem subjacente “uma intenção de premiar os municípios que consigam reduzir o número de professores”. Sendo que “só o podem fazer à custa de duas coisas”, segundo o sindicalista: “da privatização ou da pior qualidade na resposta educativa”.
À margem das compensações financeiras aos municípios, o representante dos dirigentes escolares discorda do princípio da descentralização de competências aplicada às escolas. “A Educação é um bem fundamental do país, deve continuar nas mãos do Governo. Acho perigosa qualquer experiência que atire isto para as mãos dos autarcas, alguns dos quais, como sabemos, se regem por interesses partidários mais do que pelo superior interesse do município”, disse o presidente da ANDE, dizendo temer que as escolas passem a ser usadas para fins eleitorais.
Quanto aos restantes pontos da proposta, e depois de uma leitura transversal, Manuel Pereira concluiu que “mais do que descentralizar, o que está em causa é retirar autonomia às escolas para as entregar aos municípios”.
Depois de ter vindo a ser negociada em relativo segredo pelo MEC, mas também pelo ministério de Poiares Maduro e pela secretaria de Estado da Administração Local, com os autarcas de municípios como Óbidos, Águeda, Matosinhos, Famalicão, Cascais, Abrantes e Oliveira do Bairro, entre outros, a “municipalização” das escolas começa agora a chegar aos fóruns oficiais. Na segunda-feira, dia 7, a Federação Nacional de Educação (FNE) vai reunir com o ministro Nuno Crato, num encontro de cuja agenda faz parte este processo de transferência de competências. No dia seguinte, aquela federação discutirá o mesmo assunto com a Associação Nacional de Municípios Portugueses.
O PÚBLICO não conseguiu contactar o líder da FNE, João Dias da Silva. Da Fenprof, porém, Mário Nogueira já lamentou que o MEC tenha ignorado os pedidos de reunião para debater o tema. “O ministério não pode continuar a ignorar a maior organização representativa dos professores”, avisou Nogueira, para acrescentar que no dia 16 cerca de 800 professores vão reunir em Lisboa “para abordar estas matérias"  e que poderá haver uma deslocação ao MEC” para forçar o diálogo.
Em 2008 mais de uma centena de municípios aceitaram responsabilidades acrescidas no pré-escolar e nas escolas do 1º ciclo do básico, nomeadamente quanto aos edifícios, contratação e gestão do pessoal não docente, acção social escolar, incluindo refeições, e Actividades de Enriquecimento Escolar. Tratar-se-ia agora de aprofundar essa transferência, alargando-a aos restantes ciclos do básico e também ao secundário, conferindo também aos municípios poder vinculativo na definição de currículos e na organização das próprias escolas.
O vereador da educação de Matosinhos, um dos municípios onde o processo promete avançar, numa fase-piloto que se deverá prolongar por quatro anos, mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de a câmara intervir pedagogicamente nas escolas e considerou mesmo que esta “municipalização” ajudará a resolver assimetrias actuais. “Temos nas escolas funcionários que, por serem da câmara, trabalham 35 horas semanais e outros que por serem do ministério trabalham 40 horas. Isto não tem sentido nenhum. A câmara oferece medicina no trabalho e o MEC não. No feriado de S. João, os trabalhadores da câmara ficaram dispensados de trabalhar e os do ministério não. São desiquilibrios que vamos poder corrigir”, antecipou Correia Pinto
Estes contratos que o Governo pretende firmar com os municípios só deverão fazer-se mediante “forte vontade” dos autarcas mas também da escolas ou agrupamentos. E esta delegação de competências surge desde logo balizada por alguns aspectos. Em primeiro lugar, surge a regra do não aumento da despesa para o MEC. Isto significa, entre outras coisas, que não poderá aumentar o custo médio por aluno. Ao PÚBLICO, o MEC sublinhou que "o que se encontra em curso não é um processo de criação de escolas municipalizadas, mas um processo de descentralização de competências para os municípios na área da educação e formação". E porque "os contactos e as negociações com um conjunto de municípios encontram-se a decorrer" conclui que "é prematuro nesta fase qualquer comentário".
*com Graça Barbosa Ribeiro»

Foto associada à notícia no PÚBLICO

«A educação a jogar ao monopólio», por Direção Editorial do PÚBLICO

«No processo de municipalização das escolas surgiu uma proposta extraordinária. O ministério propõe-se premiar as câmaras que venham a trabalhar com um número de professores inferior ao considerado necessário para o universo escolar sob sua alçada. Nas contas que o PÚBLICO dá como exemplo, se um município trabalhar com 399 professores num universo que precisaria de 400, receberá como “prémio” metade do salário que o professor dispensado receberia num ano (12.500 de 25 mil euros). E este exercício pode ir até 5% dos professores considerados necessários. Assim, a mesma câmara poderia “poupar” até 20 professores, arrecadando qualquer coisa como 250 mil euros em prémios. E o mesmo pouparia o Ministério, aliviado da despesa. Não se percebe se isto é Educação ou se é o jogo do Monopólio praticado com pessoas vivas. Das duas, uma: ou quem faz contas aos “considerados necessários” é um esbanjador por natureza; ou alguém quer brincar com o ensino à nossa custa.»
In PÚBLICO de 5/7/2014

Este texto refere-se a uma notícia, também do PÚBLICO: «Ministério da Educação propõe prémio para as câmaras que trabalhem com menos docentes».


 Imagem de: http://altamiroborges.blogspot.pt/2013/05/o-problema-dos-monopolios-no-brasil.html

A imagem acima, da qual não consegui descobrir a autoria, levou-me a Dali, ao surrealiamo:


 Imagem de: http://www.pinturasdoauwe.com.br/2011/12/obras-de-salvador-dali.html