segunda-feira, julho 14, 2014

No rescaldo das provas finais de ciclo, aka, exames

[Última atualização: 15 de Julho de 2014, às 22h58]


Aldrabas os exames os exames à vontade do dono -
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/albardar-os-exames-a-vontade-do-dono-1695893


Voltando a um excelente artigo de Daniel Oliveira, já de maio 2013: "As saudades da antiga 4.ª classe" - http://expresso.sapo.pt/as-saudades-da-antiga-4-classe=f805569#ixzz2SmYFcFoy



"Há uma legião de jovens em grande sofrimento e a precisar de ajuda" (PÚBLICO, 13/07/2014) - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/ha-uma-legiao-de-jovens-em-grande-sofrimento-e-a-precisar-de-ajuda-1662634

"Provas finais do 1.º CEB: pior do que os exames no meu tempo" - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/provas-finais-do-1%C2%BA-ceb-pior-do-que-os-exames-no-meu-tempo/10152197472777144

SPGL: Um conjunto de textos para nos fazer pensar de várias proveniências (Paulo Sucena, Ana Benavente, Rui Trindade, Ariana Cosme, Rita Gorgulho, Manuela Esteves, Helena Amaral, ...): http://issuu.com/spglpublicacoes/docs/provas_de_avaliac__a__o_4___ano

PÚBLICO, 13/06/2014, "Professores de Matemática defendem o final dos exames do 4.º e 6.º anos" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/professores-de-matematica-defendem-fim-dos-exames-nacionais-no-4%C2%BA-e-6%C2%BA-anos-1639768

Tempo de Teia (Teresa Martinho Marques) - http://tempodeteia.blogspot.pt/2014/06/notas-dos-4-e-6-anos-subiram-portugues.html

PÚBLICO, 10/06/2014, (Cristina L. Martins Halpern), Notas de biologia aplicadas aos exames nacionais do 4.º ano - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/notas-de-biologia-aplicadas-aos-exames-nacionais-do-4%C2%BA-ano-por-cristina-l-martin/10152242610817144

PÚBLICO, 24/05/2014, "Analista da OCDE defende que exames do 4.º ano têm potencial de exclusão social" - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/analista-da-ocde-defende-que-exames-de-4%C2%BA-ano-tem-potencial-de-exclusao-social-1637322

FENPROF, 21/05/2014, NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL DA FENPROF - EXAMES DO 4.º ANO - http://www.facebook.com/notes/margarida-belchior/nota-%C3%A0-comunica%C3%A7%C3%A3o-social-da-fenprof-exames-do-4%C2%BA-ano/10152202025822144


Crédito da imagem de: http://tempodeteia.blogspot.pt/2014/06/notas-dos-4-e-6-anos-subiram-portugues.html

The full moon - on the top

Deserto do Hogar, Argélia
abril 2007

sábado, julho 12, 2014

A Escola VS "os guardiões de templos"

Vivemos no meio da hipocrisia dos "guardiões de templos", sejam eles quais forem, quer sejam eles os da moral e bons costumes, quer sejam os da correção ortográfica ou ainda os da correta expressão matemática (como se existisse apenas uma matemática, a matemática escolar). Sinto um enorme desconforto relativamente a tudo o que conduza a uma visão única, uma visão "eurocêntrica": os que fazem bem e o sabem fazer, e os que fazem mal e não sabem fazer. São os "guardiões", os "donos", da "epistemologia do norte", que se arrogam como detentores da verdade, contra as "epistemologias do sul", de que falava esta semana Boaventura Sousa Santos (2014) (ver abaixo).

A escola e muitos professores têm uma especial apetência para se assumirem como "guardiões do templo" de uma cultura (e também de interesses) dominantes, como nos tem mostrado a sociologia da educação desde a década de 70, do século passado. Não me ponho de fora, de modo algum. Apenas procuro manter-me lúcida e eleger alguns fatores que me ajudem a manter a clarividência, quer através da minha experiência, quer através do que outros têm escrito e estudado. A forma como se lida com a ortografia na escola, ainda mais depois do novo acordo ortográfico e de toda a discussão que se tem gerado à sua volta, do meu ponto de vista, ilustram bem esta questão, a sempre assumida necessidade (por parte da cultura escolar) da solução correta e única, como que a dizer quem pode ficar "dentro" (quem pode pertencer ... vá-se lá saber a quê?!?) e quem deve ficar de "fora" (quem não tem ali lugar, quem deve ser descriminado ...). Será esta uma necessidade da sociedade em geral? ... como a sociedade não é uniforme e é composta por diversos grupos sociais, esta forma de atuar serve que grupos sociais?



Mais uma vez vem isto a propósito de um "Ai!! que horror!", por ter escrito "facto", de acordo com a grafia do Brasil, sem o "c". Para mim, enquanto professora, mais do que a correta ortografia - neste caso concreto até existem as duas grafias - o que está em causa, e me choca, é a não aceitação da possibilidade de convivermos com mais do que uma "verdade", a necessidade expressa da existência de "um certo" e de "um errado", único, como se a escola se reduzisse a essa função certificadora de verificação, de marcar "certos" ou "errados" (um papel mesquinho e pequenino), esquecendo o seu papel educativo maior, como espaço de socialização que é. Um espaço social onde convivem muitos e muitas, com origens sociais e culturais várias, onde se pode aprender tanto com a riqueza da diversidade de uns e de os outros - não será esta uma escola muito mais interessante, desafiadora e motivadora para tod@s? Para os alunos e as alunas, para os professores e as professoras, para as famílias, para os/as auxiliares (assistentes operacionais), ...?

Os exames, os programas, conduzem-nos diretamente à "redução", à pobreza cultural da escola. Somo nós "Educadores", na verdadeira aceção da palavra, que devemos ser os principais resistentes a este "Back to basics", a esta consistente "redução" das políticas utilitaristas e neoliberais que nos querem impor e nos (des)governam.


A não perder:

Great wonders: natural sculptures

Deserto do Hogar, Argélia
abril 2007

domingo, julho 06, 2014

Municipalização das Escolas: "Estão a fechar o meu país!!"

[Última atualização: 13/07/2014, 00h19]

Estão a fechar o meu país!!
Primeiro pagaram para arrancar vinhas, para deixar os campos em pousio, sem serem cultivados; agora pagam para diminuir o número de professores, para acabar com a "Escola para TODOS/AS" ... conforme está consagrado na nossa constituição e na Lei de Bases do Sistema Educativo ... parece que andam a vingar-se de alguma coisa, de algum mal que lhes fizeram ... é insanidade e malvadeza a mais! Não podemos deixar!!


"Com a Municipalização, as escolas passam a fazer as turmas e mais nada", Paulo Guinote (12/07/2014) - http://educar.wordpress.com/2014/07/12/com-a-municipalizacao-as-escolas-passam-a-fazer-as-turmas-e-mais-nada/

Paulo Guinote (PÚBLICO, 9/7/2014) - http://www.publico.pt/sociedade/noticia/quanto-vale-meio-professor-1662066?page=-1 


José Morgado (7/7/2014) - http://atentainquietude.blogspot.pt/2014/07/municipalizacao-das-escolas-o-essencial.html

SPGL - http://www.spgl.pt/municipalizacao-da-educacao

SPN - http://www.spn.pt/?aba=27&cat=213&doc=3772&mid=115

Professores de Matosinhos tomam posição (9/7/2014) - http://www.spn.pt/?aba=27&mid=115&cat=213&doc=3764 

Sindicato dos Professores do Norte - http://www.spn.pt/?aba=27&mid=115&cat=174&doc=376

Página da FENPROF sobre este assunto, com documentos do governo - http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=226&doc=8762

Manuel Brandão Alves,"Areia dos Dias" (6/7/2014) - http://areiadosdias.blogspot.pt/2014/07/fechou-e-foi-vendido.html

Manuela Silva, "Areia dos Dias" (5/7/2014) - http://areiadosdias.blogspot.pt/2014/07/sobre-deriva-municipalista-da-educacao.html

... neste link encontra mais notícias sobre a municipalização das escolas, a partir do blogue "A Educação do meu umbigo":

http://educar.wordpress.com/category/municipalizacao/

Para saber mais aqui neste blogue:
http://abeirario.blogspot.pt/search/label/Municipaliza%C3%A7%C3%A3o%20das%20escolas


«Ministério da Educação propõe prémios para escolas que trabalhem com menos professores», por PÚBLICO

Esta notícia poderia ter outros títulos:
"As escolas podem até funcionar sem professores"
ou ...
"Quando a insanidade chega à 'governança' educativa"

Texto da Direção Editorial do PÚBLICO sobre esta notícia: http://abeirario.blogspot.pt/2014/07/a-educacao-jogar-ao-monopolio-por.html

In PÚBLICO, 5/7/2014
«“Perigosa” e “desnecessária” é a forma como os dirigentes escolares qualificam a proposta de “municipalização” das escolas que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem vindo a negociar com os autarcas de vários concelhos do país.
Tal como o PÚBLICO noticiou na sexta-feira, a proposta de descentralização de competências na área da educação ao nível do básico e do secundário confere aos municípios um papel interventivo na definição da oferta curricular das escolas, dentro das balizas estabelecidas a nível central, assumindo as autarquias totais responsabilidades pelo pessoal não docente e, nalguns casos, também pelos professores. Uma das novidades presentes na proposta é o chamado "factor de eficiência” que premeia as câmaras que trabalhem com um número de docentes inferior ao tido como necessário para o respectivo universo escolar.
Assim, num município em que o número de docentes necessários seja, por exemplo, de 400, mas em que o número real de docentes seja 399, a autarquia passaria a receber um “prémio” de 12.500 euros por ano lectivo. Isto assumindo que esse docente custaria por ano ao ministério 25 mil euros, o custo estimado para um professor em início de carreira.
Essa partilha em 50% do diferencial aplicar-se-ia apenas nos casos em que tal diferença não seja superior a 5% dos docentes considerados necessários. Por outro lado, a partilha do “lucro” só se aplicará caso os resultados escolares não tenham piorado relativamente ao ano anterior.
Pelo contrário, os casos em que o número de docentes ao serviço esteja mais de 5% acima dos tidos como necessários, obrigarão a uma “análise detalhada” por parte de uma comissão de acompanhamento. A filosofia subjacente é ligar a componente de financiamento “à boa gestão dos recursos docentes”.
Trata-se de uma aritmética que “permitirá aos municípios trocar professores em troca de dinheiro”, critica Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), para quem se trata de uma proposta “no limite, muito perigosa”, porque poderia levar alguns autarcas a “criar turmas de 30 alunos para conseguirem poupar nos professores e amealhar mais dinheiro”. O líder da Fenprof, Mário Nogueira, também considera que este “factor de eficiência” tem subjacente “uma intenção de premiar os municípios que consigam reduzir o número de professores”. Sendo que “só o podem fazer à custa de duas coisas”, segundo o sindicalista: “da privatização ou da pior qualidade na resposta educativa”.
À margem das compensações financeiras aos municípios, o representante dos dirigentes escolares discorda do princípio da descentralização de competências aplicada às escolas. “A Educação é um bem fundamental do país, deve continuar nas mãos do Governo. Acho perigosa qualquer experiência que atire isto para as mãos dos autarcas, alguns dos quais, como sabemos, se regem por interesses partidários mais do que pelo superior interesse do município”, disse o presidente da ANDE, dizendo temer que as escolas passem a ser usadas para fins eleitorais.
Quanto aos restantes pontos da proposta, e depois de uma leitura transversal, Manuel Pereira concluiu que “mais do que descentralizar, o que está em causa é retirar autonomia às escolas para as entregar aos municípios”.
Depois de ter vindo a ser negociada em relativo segredo pelo MEC, mas também pelo ministério de Poiares Maduro e pela secretaria de Estado da Administração Local, com os autarcas de municípios como Óbidos, Águeda, Matosinhos, Famalicão, Cascais, Abrantes e Oliveira do Bairro, entre outros, a “municipalização” das escolas começa agora a chegar aos fóruns oficiais. Na segunda-feira, dia 7, a Federação Nacional de Educação (FNE) vai reunir com o ministro Nuno Crato, num encontro de cuja agenda faz parte este processo de transferência de competências. No dia seguinte, aquela federação discutirá o mesmo assunto com a Associação Nacional de Municípios Portugueses.
O PÚBLICO não conseguiu contactar o líder da FNE, João Dias da Silva. Da Fenprof, porém, Mário Nogueira já lamentou que o MEC tenha ignorado os pedidos de reunião para debater o tema. “O ministério não pode continuar a ignorar a maior organização representativa dos professores”, avisou Nogueira, para acrescentar que no dia 16 cerca de 800 professores vão reunir em Lisboa “para abordar estas matérias"  e que poderá haver uma deslocação ao MEC” para forçar o diálogo.
Em 2008 mais de uma centena de municípios aceitaram responsabilidades acrescidas no pré-escolar e nas escolas do 1º ciclo do básico, nomeadamente quanto aos edifícios, contratação e gestão do pessoal não docente, acção social escolar, incluindo refeições, e Actividades de Enriquecimento Escolar. Tratar-se-ia agora de aprofundar essa transferência, alargando-a aos restantes ciclos do básico e também ao secundário, conferindo também aos municípios poder vinculativo na definição de currículos e na organização das próprias escolas.
O vereador da educação de Matosinhos, um dos municípios onde o processo promete avançar, numa fase-piloto que se deverá prolongar por quatro anos, mostrou-se entusiasmado com a possibilidade de a câmara intervir pedagogicamente nas escolas e considerou mesmo que esta “municipalização” ajudará a resolver assimetrias actuais. “Temos nas escolas funcionários que, por serem da câmara, trabalham 35 horas semanais e outros que por serem do ministério trabalham 40 horas. Isto não tem sentido nenhum. A câmara oferece medicina no trabalho e o MEC não. No feriado de S. João, os trabalhadores da câmara ficaram dispensados de trabalhar e os do ministério não. São desiquilibrios que vamos poder corrigir”, antecipou Correia Pinto
Estes contratos que o Governo pretende firmar com os municípios só deverão fazer-se mediante “forte vontade” dos autarcas mas também da escolas ou agrupamentos. E esta delegação de competências surge desde logo balizada por alguns aspectos. Em primeiro lugar, surge a regra do não aumento da despesa para o MEC. Isto significa, entre outras coisas, que não poderá aumentar o custo médio por aluno. Ao PÚBLICO, o MEC sublinhou que "o que se encontra em curso não é um processo de criação de escolas municipalizadas, mas um processo de descentralização de competências para os municípios na área da educação e formação". E porque "os contactos e as negociações com um conjunto de municípios encontram-se a decorrer" conclui que "é prematuro nesta fase qualquer comentário".
*com Graça Barbosa Ribeiro»

Foto associada à notícia no PÚBLICO

«A educação a jogar ao monopólio», por Direção Editorial do PÚBLICO

«No processo de municipalização das escolas surgiu uma proposta extraordinária. O ministério propõe-se premiar as câmaras que venham a trabalhar com um número de professores inferior ao considerado necessário para o universo escolar sob sua alçada. Nas contas que o PÚBLICO dá como exemplo, se um município trabalhar com 399 professores num universo que precisaria de 400, receberá como “prémio” metade do salário que o professor dispensado receberia num ano (12.500 de 25 mil euros). E este exercício pode ir até 5% dos professores considerados necessários. Assim, a mesma câmara poderia “poupar” até 20 professores, arrecadando qualquer coisa como 250 mil euros em prémios. E o mesmo pouparia o Ministério, aliviado da despesa. Não se percebe se isto é Educação ou se é o jogo do Monopólio praticado com pessoas vivas. Das duas, uma: ou quem faz contas aos “considerados necessários” é um esbanjador por natureza; ou alguém quer brincar com o ensino à nossa custa.»
In PÚBLICO de 5/7/2014

Este texto refere-se a uma notícia, também do PÚBLICO: «Ministério da Educação propõe prémio para as câmaras que trabalhem com menos docentes».


 Imagem de: http://altamiroborges.blogspot.pt/2013/05/o-problema-dos-monopolios-no-brasil.html

A imagem acima, da qual não consegui descobrir a autoria, levou-me a Dali, ao surrealiamo:


 Imagem de: http://www.pinturasdoauwe.com.br/2011/12/obras-de-salvador-dali.html

quarta-feira, junho 25, 2014

PÚBLICO: "Pais de alunos de Arroios, Lisboa, queixam-se de 'elevado estado de degradação' de escola"

"
Um grupo de pais de alunos da EB1 Leão de Arroios, em Lisboa, queixou-se nesta quarta-feira da degradação da escola, que tem infiltrações, casas de banho avariadas e salas de aulas expostas a “temperaturas extremas de frio e calor”.
No período de intervenção do público da reunião da Câmara Municipal de Lisboa, Rita Gorgulho falou em nome dos encarregados de educação daquele estabelecimento de ensino denunciando o “elevado estado de degradação da escola”.
“Nesta escola, há 400 crianças que brincam num recreio desprovido de qualquer equipamento lúdico e cujo chão de azulejos está tão degradado que tem buracos que provocam acidentes diários”, disse.
Segundo a representante, a escola não tem zonas de sombras, protecção para a chuva e os toldos que forneciam sombra para as salas de aulas estão “partidos, rasgados ou são inexistentes”.
A biblioteca está a alojar uma turma cuja sala foi interditada devido a um curto-circuito, partes do chão do ginásio estão apodrecidas por causa de uma inundação que ocorreu no ano lectivo 2011/2012 e o facto de a escola não ter plano de evacuação foram outros dos problemas apontados pelos pais.
Entretanto, os encarregados de educação foram informados hoje de que a escola vai sofrer obras a partir de terça-feira, afirmando que saúdam esta notícia, que “só peca por tardia”.
“Uma escola não deveria chegar a este ponto de degradação, colocando todos em risco”, frisaram.
Os pais perguntaram ainda ao executivo qual a abrangência da intervenção e qual o prazo previsto para o fim das obras.
Em resposta, o vereador das Obras, Jorge Máximo, disse ter conhecimento da situação e referiu que visitou na semana passada a EB1 Leão de Arroios com a vereadora da Educação, Graça Fonseca.
Assegurou ainda que a empreitada vai começar na data prevista. (...)"
In http://www.publico.pt/local/noticia/pais-de-alunos-de-arroios-lisboa-queixamse-de-elevado-estado-de-degradacao-de-escola-1660516

Dreams

Campo de Aventura, Cadaval
junho 2014

segunda-feira, junho 16, 2014

Qual é o "padrão FIFA de qualidade"?

O padrão FIFA de qualidade

«No capitalismo global, os megaeventos desportivos - como os Campeonatos do Mundo ou as Olimpíadas - são celebrações da excecionalidade. São mostrados como ilhas de ordem na desordem global e de paz na guerra global. São momentos de hipocrisia por excelência, em que as mensagens de fair-play e de competição com regras são financiadas pelas grandes marcas globais, que praticam o mais possível o seu oposto no dia a dia.»


http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3969391&seccao=Jos%E9+Manuel+Pureza&tag=Opini%E3o+-+Em+Foco

domingo, junho 15, 2014

«Provas Finais do 1.º CEB»: pior do que os exames no meu tempo

O clima e caráter "fascizante" que estamos a viver este ano a propósito dos "exames" no ensino básico (chamados de "provas finais") é completamente assustador, como sinal das mentalidades que nos governam. Trata-se de um clima que se vai refletindo-se depois em cadeia, através exercício de pequenos poderes, de quem vê assim o seu pequeníssimo poder reforçado e de um "autoritarismo" acéfalo, que tem "(cor)roído" o nosso quotidiano nas escolas. Houve docentes a serem convocados para serem corretores de provas com menos de 48h de antecedência, ou mesmo às 23h da noite; houve também aqueles que foram mantidos de "prevenção" nas escolas para além do seu horário habitual, sem qualquer convocação prévia de acordo com as normas legais em vigor, à espera de pautas, sem saber a que horas estas chegariam, dizendo-lhes que só poderiam ir-se embora justificando a sua falta com atestado médico, como se estivessem face a reuniões de avaliação, convocadas dentro da legalidade; aos professores vigilantes das provas foram dadas indicações expressas em como não podiam ausentar-se das salas onde estivessem a decorrer provas, nem em caso de má disposição, sem que alguém do secretariado de exames viesse dar autorização, o mesmo se aplica aos alunos, quer estes fossem do 4.º ano, quer do 6.º ou 9.º anos - uma regra igual para todos; os professores vigilantes também tiveram indicações muito precisas no sentido de os impedir de ler as provas durante a sua realização (só as poderiam ler quando estas fossem afixadas), tendo no entanto que verificar, minuciosamente, se os alunos usa(va)m a caneta preta (no caso dos alunos do 4.º ano) ou preta ou azul (nos restantes casos) ... [:-) ... :-) ... não consigo escrever sobre isto sem me rir!!] ... ou o lápis, de acordo com o que for pedido na prova ... estão a perceber as incongruências e contradições?!? ...

A Norma 2/JNE, um documento com 128 páginas, com todas as indicações possíveis e imaginárias para a realização das provas, a sua classificação, etc. etc. ... Norma para a qual se remetiam todos os colegas quando se levantavam dúvidas ... não está se quer disponível online, nem no site da Direção Geral de Educação, do MEC, nem na página do IAVE, I.P., do mesmo ministério (que, a bem dizer, ainda nem tem página web própria, apenas tem página do Facebook ... - conhecem aquela aplicação a que não se consegue ter acesso a partir das escolas na parte da manhã? ... ). Esta norma só está disponível online através de sites de escolas ... como será que estas acederam a tal  Norma? ...

O que nos querem exatamente mostrar? ... que pensam por nós, que mandam e que têm o nosso tempo, as nossas vidas, nas suas mãos?!?

Não está provado que exames nacionais contribuam para aumentar a qualidade da aprendizagem dos alunos, não conheço estudos sobre isso - existirão? Apenas se sabe que existe, numa certa opinião pública (revivalista e com saudades do "tempo da outra senhora"), reforçada pela superficialidade de certa comunicação social, uma crença de que sem exames tudo o que se passa nas escolas é de um enorme facilitismo e permissividade. Assim se justifica a necessidade imperiosa da figura da autoridade externa, o MEC (o lobo mau, o papão,  o chicote), para de "forma rigorosa" (de que tipo de rigor se fala?), vir mostrar o quanto é (in)útil o orçamento da educação, ou seja, o que os portugueses pagam pela escola pública.

Daquilo que me é dado observar, diretamente na escola onde trabalho, e naquelas por onde tenho andado (quer como professora, quer como orientadora de estágios, quer ainda como avaliadora externa - funções que me obrigam a desempenhar), o quotidiano das escolas é feito de um enorme profissionalismo pela maior parte dos professores, que fazem tudo o que está ao seu alcance para que os alunos aprendam (fazem sempre os possíveis, e frequentemente os impossíveis, também). Claro que ninguém é perfeito, e que nesta classe profissional, como em todas, há bons e maus profissionais - mas se a escola pública (grande parte do sistema de educação no nosso país) não fosse feita de bons e empenhados professores, há muito que o sistema já teria "falecido" (vale a pena comparar a percentagem do PIB gasta pelo nosso país na escola, com a de outros países da OCDE).

Qual foi o orçamento envolvido nesta gigantesca operação das provas finais de ciclo? Quantos euros pesa ela no orçamento do MEC?
a elaboração e duplicação das Normas, bem como do funcionamento do JNE, ou será antes, do IAVE, I.P?
a deslocação dos alunos do 4.º para as escolas sede, para a realização das provas finais de ciclo pagas em muitos casos, pelas autarquias? ... e tudo o mais que envolveu a montagem desta gigantesca operação de logística: A montagem dos júris regionais de exames? a convocatória dos professores supervisores e dos professores corretores? os dois dias de aulas de que estes foram dispensados, perturbando o processo de aprendizagem dos alunos e a organização da vida nas escolas? a elaboração, duplicação, distribuição das provas, de forma sigilosa, com a intensa colaboração da GNR e da PSP? as deslocações, reuniões, telefonemas com os professores supervisores e corretores?

Os resultados do trabalho quotidiano dos professores e dos alunos nas escolas, na maior parte dos casos acompanhado pelas famílias (da forma que melhor sabem e conseguem) não pode ser medido em hora e meia de uma prova final, elaborada a nível nacional pelo ministério. Bem sei que (felizmente!!) estas provas só valem 30% da nota final. Também todos sabemos que as dificuldades presentes na resolução das provas é facilmente manipulável pelo MEC - estamos muito longe da fiabilidade das provas realizadas pelo PISA (OCDE) ... Que os alunos vão bem a Português e mal em Matemática, comparando os resultados de apenas dois anos de exames nacionais, dois anos em que a dificuldades das provas foi manifesta diversa, parecem-me conclusões demasiado superficiais para os custos que imagino estarem envolvidos, custos estes que gostaria de ver explicitados.

Não é certamente com a implementação deste clima anacrónico e fascizante nas escolas, acompanhado das "provas finais de ciclo", aka, exames, que vamos deixar de ser o país da OCDE em que há a menor percentagem de adultos, entre os 25 e os 64 anos, com o ensino secundário concluído. De acordo com o especialista da OCDE, ouvido pelo PÚBLICO, só existem exames no 4.º ano na Turquia e na Bélgica (http://www.publico.pt/sociedade/noticia/analista-da-ocde-defende-que-exames-de-4%C2%BA-ano-tem-potencial-de-exclusao-social-1637322).

P.S. - Sou das que fiz exame da 4.ª classe, em 1968. Dois anos depois fiz o do 2.º ano do Ciclo Preparatório.  Em 1974, manifestei-me viva e convictamente contra os exames do antigo 5.º ano - por considerar que estes não iam contribuir em nada para o que tinha aprendido até aí. Penso hoje, o que já então pensava.