quinta-feira, maio 20, 2010

Transumância

Vivo entre diferentes mundos.

Sei como é difícil permanecer muito tempo num,

sem voltar ao outro,

e, como não consigo ficar por eternidades no outro,

sem me lembrar daquele outro,

onde preciso de regressar, sempre.

Sei como também é, depois, sempre imperioso

voltar ao primeiro, neste jogo de transumância,

entre os prados verdejantes de altitude, na Primavera,

e os vales frescos do Verão.

Rio e choro entre estes mundos,

de saudades e de alegrias.

Grande privilégio este o da transumância.

É assim que sou e que pertenço,

Aqui e além, além e aqui,

Nestes (a)braços que se retomam,

que nos afectam e nos consolam,

porque cheios de afectos e ternura,

de (des)gostos. De AMOR.

Acabo sempre a rir!! ... como as sereias!



In Digit@l Pixel: Risos de Sereia [Mermaid's laugh]

[Obrigada, Lina, pela inspiração!]

segunda-feira, maio 17, 2010

«Toca e foge»

A gente perde-se, encontrando-se... e encontra-se, perdendo-se ...

http://ardosiaazul.blogspot.com/2010/05/bolas-de-sabao.html


... como um coração que se enche e se esvazia, uns pulmões que se contaminam e purificam, um sangue que vai e que vem, ... É assim mesmo, faz parte. Aprendamos a saborear e a jogar ao «toca e foge», como quando éramos meninas e d'aí tirávamos todo o prazer e gosto de brincar, de rir, de pregar partidas, de correr, de esconder, de reaparecer, ...

quinta-feira, maio 13, 2010

Imposições dos "mercados": Incompreensível!!

Quando os "mercados" se impõem ... chegam estas medidas por parte do governo.

http://www.liberation.fr/economie/0101635240-le-gouvernement-portugais-s-apprete-a-annoncer-un-choc-fiscal


Mas quem manda afinal? ... onde fica a tão falada (e necessária) transparência de que os cidadãos eleitores precisam?

Andam a brincar com o dinheiro de quem efectivamente trabalha? ... a atirar-nos areia para os olhos?

Tudo isto enquanto o país se concentra na visita papal?

«O rei vai nu»?

terça-feira, maio 04, 2010

«Jesus Cristo num hospital», Frei Bento Domingues



É um grande privilégio podermos ter entre nós quem escreve e consegue dar-nos sinais de esperança como o Frei Bento, nos momentos «Incompreensíveis» que vivemos!!

Muito Obrigada, Frei Bento!!

PÚBLICO, 02/05/2010

Os infindáveis telejornais, tecidos quase só por desgraças, acabam por se tornar em agentes de depressão colectiva

1. É um conto exemplar. Muito breve. Chamar-lhe conto até pode ser excessivo, mas merece ser reencaminhado. Começa assim: Jesus Cristo, cansado do tédio do Paraíso, onde tem pouco que fazer, resolveu voltar à Terra. Optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço. Para não atrair as atenções, decidiu ir vestido de médico. Entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico. Os pacientes viram e comentaram: "Olha, vai mudar o turno..."

Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, muito decidido, gritou: "O próximo!" Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas. Jesus levantou-se, olhou bem para o homem e, com a palma da mão direita sobre a sua cabeça, disse: "Levanta-te e anda!"

O paraplégico levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o primeiro da fila perguntou: "Que tal é o médico novo?" Ele respondeu: "Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos... Nada! Só querem despachar..."

2.Já viajei, por razões de trabalho, bastante mais pelo país e pelo mundo do que agora, mas não perdi o gosto de os conhecer cada vez melhor. O prazer maior das viagens não é só a descoberta dos mundos que ignoramos, mas sobretudo o encontro com as suas fontes de identidade e de renovação. Estive em vários países em guerra. Vi muita miséria e destruição. No entanto, o que sempre mais me ocupou não foram as dimensões da desgraça, mas as iniciativas para se poder voltar a viver com esperança.

O que mais desejo encontrar nos meios de comunicação - talvez como toda a gente - são revelações do que está a acontecer, em todos os aspectos, no país e no mundo. Devem saber ver e dar a ver, trazendo alguma luz ao quotidiano. Como, neste aspecto, era muito raro ter sorte, tornei-me absentista, procurando outros meios de informação. Julgo que os infindáveis telejornais, tecidos do princípio ao fim quase só por desgraças, ao não servirem com competência a verdade e a liberdade de informação, acabam por se tornar em agentes de depressão colectiva. Matam de tal modo a sensibilidade dos telespectadores que, como diz o Evangelho, já nada os consegue espantar, nem mesmo a "ressurreição de um morto" (Lc 16, 19-31).

A primeira religião que conheci era uma mistura de catolicismo azedo e de superstições locais. Existia para meter medo. Toda a gente sabia histórias terríveis de aparições medonhas de figuras do mal. Tinha de ir mais gente para o inferno do que para o céu. No Norte, chamavam aos pregadores dessa religião os "padres da vinagreira". Hoje, de certo modo, a "religião" dos telejornais e dos seus sacerdotes também parece que só está interessada em mandar o país para o inferno. Mesmo quando há sinais de que é possível enfrentar as enormes dificuldades com que o país se debate, insiste-se em mostrar que não há saída.

Em sentido muito próximo, mas num panorama mais vasto e englobante, Mário Soares (DN, 27.04.2010) publicou um notável artigo, onde também achou fastidiosas e inúteis as comissões parlamentares de inquérito que têm sido transmitidas em directo pela televisão. Em vez de prestigiarem o Parlamento, como é importante que aconteça - como centro da vida democrática que deve ser -, estão a desprestigiá-lo. A sanha persecutória dos deputados-inquisidores não é diferente da guerrilha partidária desbocada e interminável. Revestindo aspectos pessoais desagradáveis, cria enfado nos que a seguem, não permite que se debatam os problemas que afligem os portugueses e só desvia as atenções.

3.O Padre Timothy Radcliffe, ex-mestre-geral da Ordem Dominicana, o homem do diálogo ecuménico entre as Igrejas cristãs, do diálogo intercultural e inter-religioso, um dos grandes promotores do diálogo no interior da Igreja católica, não esconde a onda de raiva e de desgosto que as revelações de abusos sexuais, por padres, têm provocado. Confessa que recebeu e-mails de pessoas de toda a Europa a perguntar como é que elas ainda podem permanecer na Igreja. Como ficar?

Num texto muito pertinente ("The Tablet", 10.04.2010), que, aliás, já circula na Internet em tradução, explica as razões porque rejeita os apelos ao abandono da Igreja depois dos escândalos eclesiásticos. Não procura encobrir, não desculpa, mas ajuda a entender a história da Igreja, desde os começos, e como se pode e deve trabalhar na sua renovação.

Hans Küng, sem dúvida um dos mais conhecidos e famosos teólogos do Vaticano II ainda vivos, com uma imensa obra de investigação e divulgação, companheiro do Papa na Universidade de Tubinga, não se contenta com criticar o percurso dos últimos Papas e da Cúria romana. Acaba de fazer propostas muito concretas para a preparação de um novo concílio. O texto circula em várias línguas. Há tradução em português da "Carta Aberta aos Bispos de todo o Mundo" (PÚBLICO2, 24.04.2010).

Nem todos, na sociedade e na Igreja, têm a atitude do paraplégico curado por Jesus Cristo.

domingo, maio 02, 2010

Dia da Mãe: «O segredo é amar!»

Como precisamos de furar as ondas depressivas em que nos deixamos submergir no «Incompreensível» do quotidiano, dedico este poema do professor-poeta Sebastião da Gama, a todas as «Mães» (às verdadeiras «Mães») a todas e todos que conhecem «o segredo», independentemente de como cada um(a) o ouve, sente e exprime, cada qual à sua maneira:

«O Segredo é amar!»

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

«Um bom retrato ...»

Quando as finanças e a economia se globalizam e ganham uma dimensão planetária, como se pode ver pelos posts anteriores, este tipo de retratos, não apenas do país, mas do mundo em que vivemos, passam a ser muito fiéis:



In PÚBLICO, 2/05/2010

Incompreensível 3: «As teses do taxista»

... e agora o artigo de opinião da Áurea Sampaio, também na última Visão (29/04/2010):
http://aeiou.visao.pt/as-teses-do-taxista=f556936

... onde se lê o seguinte:

«(...) A realidade é que nesta Europa onde os egoísmos prevalecem e em que as pulsões nacionalistas se sobrepõem cada vez mais à razão de encontrar caminhos de equidade na acção política, há uma lição a retirar desta crise que vivemos: é mais fácil salvar um banco do que salvar um país. Pode ser um daqueles acasos absolutamente inexplicáveis, mas pode ser também um símbolo dos tempos que vivemos o facto de o país mais atacado pelos rostos sem ética da especulação e tão vilmente humilhado pelos dirigentes europeus ser justamente o berço da nossa civilização e da nossa cultura. (...)»


[O sublinhado é meu.]

Incompreensível 2: «De novo a Portugal, S.A.»

Só agora li o que escreveu São José Almeida no PÚBLICO de hoje ... ela escreve do que sabe e fundamentadamente, aquilo que eu gostaria de saber escrever. Resta-me o consolo de ver confirmada a minha incompreensão... :-)


De novo a Portugal, S. A.
Por São José Almeida
in PÚBLICO, 01/05/2010

Por que razão os bancos que estiveram na origem da crise financeira internacional continuam a manter o seu lucro?

Esta semana, o alarme voltou a soar. A agência de notação financeira (ou rating) Sandard & Poor"s baixou a classificação de Portugal enquanto país capaz de cumprir o pagamento das suas dívidas - isto é, para os mercados financeiros Portugal está em estado de pré-falência. A bolsa portuguesa entrou em colapso. O líder do PSD pediu para se reunir com o primeiro-ministro e as trombetas em defesa da soberania financeira do país tocaram a despique. O acordo de Bloco Central surgiu na terça-feira em torno da ideia de antecipar três medidas do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que incidem sobre a fiscalização e o controlo de despesa pública com prestações sociais e a redução do subsídio de desemprego - ou seja, aperta-se o torniquete de novo sobre os que menos podem.

A decisão de uma agência privada que classifica a capacidade dos devedores, sejam privados, sejam Estados, de pagar o que devem não nasceu do nada. Há um mês uma outra grande agência de rating, a Fitch, tinha baixado a sua classificação sobre Portugal. E a semana passada, pela voz de um Prémio Nobel da Economia e pela de um antigo responsável do Fundo Monetário Internacional (FMI), Portugal foi alertado para a possibilidade de entrar em bancarrota. Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, disse que, depois da Grécia, "não se pode excluir a hipótese de falência noutros países, como Portugal ou a Espanha". E o ex-economista chefe do FMI Simon Johnson considerou que "ambos [Portugal e Grécia] estão, em termos económicos, na vertigem da bancarrota e ambos parecem mais arriscados do que a Argentina em 2001, quando sucumbiu ao incumprimento" (PÚBLICO 21/04/2010).

Por sua vez, o FMI colocou Portugal na cauda dos países europeus, afirmando que tem 18 por cento de probabilidades de provocar instabilidade e perturbações na zona euro, quando a Grécia está nos 21,4 por cento e a Espanha, em terceiro lugar, fica a uns distantes 12,7 por cento (PÚBLICO 21/04/2010). A cereja no bolo foi dada pelo mesmo FMI, que reviu em baixa, para 0,3 por cento, a previsão para o crescimento da economia portuguesa este ano, quando o Governo apontara para um por cento no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2010 (PÚBLICO 22/04/2010) - ou seja, diminuem as expectativas de Portugal poder produzir riqueza que lhe dê capacidade de cumprir os seus compromissos. O economista João Ferreira do Amaral ainda disse que "o problema não é Portugal", acrescentando que "a zona euro não foi criada de forma minimamente sólida e não está preparada para situações destas" (PÚBLICO 21/04/2010). Mas surgiu como uma voz isolada no mainstream nacional e europeu, onde ninguém parece minimamente interessado em debater a questão de fundo que está subjacente a esta aparente falência de Portugal e antes da Grécia.

E a questão de fundo passa precisamente por questionar se é normal que os países sejam avaliados e se comportem como se de empresas se tratasse. Já a propósito do Orçamento do Estado para este ano questionámos as pressões das agências de rating, precisamente por causa da sua capacidade de avaliação sobre se Portugal tem condições de pagar a sua dívida.

A questão de fundo não é assim a de saber se Portugal sobe ou desde nas tabelas de devedores. É a de saber se faz sentido os Estados estarem classificados e funcionarem de acordo com regras de mercado como se fossem empresas.

É certo que o problema é geral. É certo que este é o modo de funcionar da política mundial que soçobrou à adoração e à subserviência ao mercado. É certo que a maioria das forças políticas que governam a Europa e o mundo não questionam esta forma de funcionamento. E tudo parecia andar sobre rodas até que a crise internacional veio por a nu as fragilidades do sistema.

Agora o que parece incompreensível é que, perante a exposição crua do que estas regras de mercado provocam, perante a visibilidade explícita de que são meia dúzia de multinacionais financeiras que governam o mundo, ninguém questione e queira reflectir sobre a necessidade de mudar o sistema. Sobre a necessidade de dar aos Estados (nacionais, unidos ou federados, pouco importa) a capacidade de conduzir a sua gestão de forma autónoma desses agentes. Por que razão os bancos que estiveram na origem da crise financeira internacional continuam a ditar as regras e a manter o seu lucro?

Certamente que é preocupante atalhar o problema e tomar medidas para que o país, dentro das regras que tem de jogar, não fique em situação cada vez mais fragilizada. É urgente fazer face à situação de descalabro financeiro. Mas a dúvida que se coloca é a de saber qual vai ser o fim disto. Como vai acabar esta situação internacional em que a economia do mundo passou a ser explicitamente controlada e governada por meia dúzia de empresas financeiras, mais concretamente de bancos, e em que os políticos e os governos dos Estados recebem delas as ordens, as regras e as orientações de procedimento? Repito: até onde vai isto conduzir o mundo? A que ponto é preciso chegar para que estas regras sejam questionadas?

Como tudo parece indicar que a classe política europeia não está interessada ou não pode sequer, pelo grau de submissão ao poder económico que já vive, tentar inverter as regras e o sistema de funcionamento instalado, a pergunta impõe-se: quem é que vai pagar a factura? As empresas? Os que lucram? Ou será que a solução desta crise vai passar novamente pelo apertar da situação dos que menos têm? Será que a solução desta crise, nacional e internacional, vai passar pelo agravar da luta de classes invertida que tem tentado ao longo dos últimos 30 anos retirar direitos a quem trabalha e diminuir a redistribuição da riqueza por toda a sociedade?

Qual vai ser a solução para resolver o problema de dívida em Portugal, depois do sinal dado esta semana pelo acordo entre Sócrates e Passos Coelho: baixar salários? Retirar férias e mais subsídios? Acabar com a saúde e o ensino com carácter universal revendo a Constituição? Já agora, por que não se avança para a taxação real do lucro dos bancos? Insisto: por que razão os bancos têm de manter os seus lucros em prejuízo de toda a sociedade e da soberania de países? Jornalista (sao.jose.almeida@publico.pt)

sábado, maio 01, 2010

Incompreensível: Crise, PEC e "ratings" e "spreads"

Há tempos o mundo entrou numa crise económica generalizada por causa dos mercados financeiros e bolsistas - foi o que ouvi, não percebo nada destes assuntos: tudo é para mim demasiado abstracto e longínquo, toldado por uma nuvem de incompreensão. Compra e venda de acções, obrigações, e nem sei bem mais o quê ... "Coisas", que nem se materializam, mas que dão enormes lucros a grandes investidores, às grandes fortunas, incluindo a bancos e seguradoras, de que todos somos clientes (e que por isso sustentamos). Bancos e seguradoras que não pagam o mesmo tipo de impostos sobre os seus rendimentos, como os contribuintes individuais ou sequer as médias e pequenas empresas, tão necessárias para a sustentar empregos a tantos que apenas vivem do seu trabalho.

Em épocas de crise naturalmente que os grandes investidores bolsistas também terão grandes percas - como os próprios dizem para quem está a seu lado: «Quem não arrisca não petisca!» Às vezes penso que também gostaria de poder perder como eles perdem, nestes jogos de perder e ganhar bolsistas, sem ver ameaçadas as minhas necessidades básicas de subsistência: "habitação, pão, saúde, educação, trabalho, ..." Não devo ser única, certamente. Eu sou das que vivo apenas do meu ordenado, um ordenado de professora, do qual nem sequer me posso queixar porque chega todos os finais de mês e é bastante acima do salário médio nacional.

Esta conversa toda, vem hoje a propósito dos títulos que estava tranquilamente a ler na Visão, nas minhas leituras de fim-de-semana. Não resisti a vir aqui partilhar as minhas interrogações, inquietações e perplexidades face ao momento crítico que vivemos enquanto pequeno país, num contexto mais global. Estes problemas nem sequer são apenas nossos ...

Títulos e excertos da Visão:
«Às vezes, nos mercados, os especuladores filam num país e atacam-no fortemente para, por essa via, conseguir lucros extraordinários.» (Cavaco Silva, Presidente da República [não foi nele que votei como candidato presidencial]

«BOLSAS. As principais praças da Europa recuaram perante o ataque especulativo contra as dívidas da Grécia e de Portugal.» (Legenda de fotografia, Visão, p. 60)

«[Vitor Bentes] defende a redução dos salários e dos preços para recuperar a competitividade perdida. Agora, vê o FMI propor a "sua" solução para a Grécia.» [Ele defende o mesmo para Portugal, p. 58, em entrevista]

«Vivemos a cima das nossas posses, gastando mais do que produzimos. É assim desde há, pelo menos, dez anos. Por isso, endividámo-nos. E muito. Os credores ainda não nos bateram à porta, mas começam a desconfiar de nós.» (sic) Visão, p. 55

Ontem vi um jornalista da SIC a fazer contas em directo sobre o contributo de metade do 13º mês da população activa portuguesa para atenuar o montante da dívida pública nacional: apenas seria possível atenuar 6,5 dias dessa dívida.

Há dias falava-se dos prémios escandalosos dos gestores públicos.

Há qualquer coisa em tudo isto de completamente inaceitável e profundamente injusto e escandaloso para todos os que não têm emprego e para os que vivem do seu trabalho e respectivo rendimento mensal.

Não são os funcionários ou os trabalhadores por conta de outrém, que apenas vivem da remuneração do seu trabalho que vivem acima das suas possibilidades. Quem paga às administrações das empresas públicas, dos bancos, das seguradoras? Como vivem estes senhores e senhoras?

Às vezes ponho-me a comparar todo este "gigantesco polvo" com a D. Branca, lembram-se?

São os mercados bolsistas que nos conduziram à crise em que actualmente se vive que agora vêm ditar as regras e pôr em causa a fragilidade dos sistemas que contribuíram para criar? Não há já princípios éticos? O dinheiro não tem cheiro nem cor?

Acabo de ler este artigo impressionante: «Os mercados são manipulados» - já nem se pode acreditar nas tão incólumes e "benéficas" leis da oferta e da procura que regulam os mercados... O que nos resta então? Quem tem medo de mudar?

P.S. - Desculpem-me, não percebo nada disto mesmo. Mas gostaria muito de perceber, sobretudo se a opção política e governamental for a de baixar salários ou a de cortar nos subsídios - penso sobretudo naqueles que têm rendimentos muito inferiores ao meu. Pessoalmente, e face às dificuldades do país, já há muito que me conformei com o facto de não poder ter a minha reforma ao fim de 32 anos de serviço e de 52 de idade, ao abrigo do contrato social (e laboral) que assinei com a minha entidade empregadora, o Ministério da Educação, há já 30 anos, ainda antes de todas estas mudanças que têm vindo a ser introduzidas no Estatuto da Carreira Docente. A manter-se a inoperacionalidade decisória para inverter tão vergonhosa e injusta situação financeira , penso que todos os que estivermos na mesma situação deveríamos começar a pensar seriamente em entregar esta questão a um bom advogado laboral.

[Se esta temática vos interessam e preocupam, leiam em seguida: http://abeirario.blogspot.com/2010/05/de-novo-portugal-sa.html]