Um interessante artigo de «The Guardian» sobre as limitações e avanços da eleição de Barak Obama:
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=9071&Itemid=121
domingo, novembro 23, 2008
quarta-feira, novembro 19, 2008
Semana da Palestina
Esta semana têm lugar diversas actividades culturais que chamam a atenção para a situação do povo palestino. Foi em 1947 que as Nações Unidas aprovaram a resolução que previa a criação de dois estados nos territórios da Palestina, o estado judaico e o estado árabe. Depois de 61 anos, esta resolução continua ainda por ser aplicada de forma condigna de modo a que ambos os povos possam levar a sua vida quotidiana de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos - quem fiscaliza a aplicação das resoluções das Nações Unidas? ... a quem serve o Direito Internacional?
A sessão que decorreu esta noite na Casa do Alentejo, em Lisboa, promovida pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, foi muito esclarecedora, tendo contado com intervenções pertinentes e de diferentes pontos de vista de José Manuel Pureza (Direito Internacional), Carlos Carvalho (OIT, sindicalista), Frei Bento Domingues (teólogo) e José Saramago (escritor, Prémio Nobel).
Questões pertinentes: qual vai ser a posição e intervenção do futuro presidente dos EUA, Barak Obama, sobre esta questão? Quando poderá o povo palestino dizer "YES WE CAN"? ...
A não perder: Semana da Palestina - «A Luta e a cultura de um povo»
A sessão que decorreu esta noite na Casa do Alentejo, em Lisboa, promovida pelo Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, foi muito esclarecedora, tendo contado com intervenções pertinentes e de diferentes pontos de vista de José Manuel Pureza (Direito Internacional), Carlos Carvalho (OIT, sindicalista), Frei Bento Domingues (teólogo) e José Saramago (escritor, Prémio Nobel).
Questões pertinentes: qual vai ser a posição e intervenção do futuro presidente dos EUA, Barak Obama, sobre esta questão? Quando poderá o povo palestino dizer "YES WE CAN"? ...
A não perder: Semana da Palestina - «A Luta e a cultura de um povo»
terça-feira, novembro 18, 2008
Os Jesuitas e os Professores ... (Sec. XVI) ... nem de propósito!
Uma selecção de texto impressionante pela sua actualidade ...
Dá que pensar a todos os envolvidos nesta contenda ...
Não se pode deixar de referir que somos um país da tradição da contra-reforma (na qual os Jesuítas tiveram um papel significativo), em que ao contrário do que acontecia nos países da Reforma, os de tradição protestante, a Biblia só podia ser lida e interpretada pelos "iluminados", pelo que só esses precisavam de aprender a ler e a escrever.
Apesar de todos os esforços dos movimentos republicanos, o tempo da ditadura representou mesmo um grande retrocesso no que se refere ao acesso à escola e aos seus saberes. Depois de vários recuos e avanços, só com a Primavera Marcelista a escolaridade obrigatória foi estendida ao 6º ano de escolaridade e foi já depois do 25 de Abril de 1974, que ela foi alargada ao 9º ano. Foi aí que começou a verdadeira democratização do acesso à Escola, da construção de um outro sistema educativo, com todas as vantagens e problemas que são hoje conhecidos.
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2008/11/no-s%C3%A9c-xvi-os-professores-eram-mais-considerados-at%C3%A9-pela-companhia-de-jesus.html
Dá que pensar a todos os envolvidos nesta contenda ...
Não se pode deixar de referir que somos um país da tradição da contra-reforma (na qual os Jesuítas tiveram um papel significativo), em que ao contrário do que acontecia nos países da Reforma, os de tradição protestante, a Biblia só podia ser lida e interpretada pelos "iluminados", pelo que só esses precisavam de aprender a ler e a escrever.
Apesar de todos os esforços dos movimentos republicanos, o tempo da ditadura representou mesmo um grande retrocesso no que se refere ao acesso à escola e aos seus saberes. Depois de vários recuos e avanços, só com a Primavera Marcelista a escolaridade obrigatória foi estendida ao 6º ano de escolaridade e foi já depois do 25 de Abril de 1974, que ela foi alargada ao 9º ano. Foi aí que começou a verdadeira democratização do acesso à Escola, da construção de um outro sistema educativo, com todas as vantagens e problemas que são hoje conhecidos.
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2008/11/no-s%C3%A9c-xvi-os-professores-eram-mais-considerados-at%C3%A9-pela-companhia-de-jesus.html
Avaliação dos professores
Uma interessante opinião de quem ganha a sua vida num outro contexto profissional em que a avaliação está muito presente ... a fazer pensar...
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Avaliação: a oportunidade já está perdida
PÚBLICO, José Vítor Malheiros - 2008/11/18
A avaliação tem de existir prioritariamente para garantir que a prática das escolas corresponde aos desejos da sociedadeÉprovável que nunca país algum tenha discutido tanto a avaliação dos seus professores como Portugal. Em geral, estes processos apenas interessam os elementos mais militantes da profissão em causa mas, no nosso caso, centenas de professores, pais, comentadores e políticos sentiram-se obrigados a lançar-se na leitura de portarias e decretos regulamentares. O que poderia ser bom se não fosse extemporâneo. De facto, não estamos a discutir o que se irá fazer nem sequer o que se pode corrigir, mas a tentar compreender onde se errou, o que suscita confusão e contestação.
Vamos imaginar que nem as críticas dos sindicatos nem os protestos dos professores têm a mínima base e que as garantias do ministério merecem todo o crédito: vamos imaginar que é tudo como devia ser, que o processo de avaliação é simples e claro, que as escolas possuem autonomia para fazer a avaliação como entendam desde que obedeçam a um conjunto de princípios básicos definido pelo ministério, vamos imaginar que os avaliadores são todos idóneos. Mesmo que fosse assim... o ministério já não teria razão. E não teria razão porque não se pode fazer uma avaliação de um corpo profissional contra o sentimento desse corpo profissional. Não se pode avaliar os professores usando critérios que os professores recusam, não se pode avaliar os professores usando avaliadores que os professores não reconhecem ou usando avaliadores que apenas o são a contragosto. Ou melhor: pode-se, mas não serve para nada.
E não serve para nada porque a avaliação não existe (não deve existir) prioritariamente para decidir da progressão na carreira dos professores, mas sim para garantir que a prática dos professores e das escolas corresponde àquilo que a sociedade pretende e que essa prática vai sendo progressivamente melhorada com o reforço das boas práticas e o abandono das más.
Quando os professores recusam os critérios da avaliação, ou estão a recusar os objectivos da educação (caso haja alinhamento entre avaliação e estratégia) ou estão a recusar uma avaliação divorciada da estratégia (caso não haja aquele alinhamento). E ambas as situações são trágicas. Porque a estratégia, a prática dos professores e os critérios da avaliação devem obedecer a uma mesma orientação geral.
Pode-se dizer: a verdade é que os professores recusam esta avaliação porque não querem ser avaliados de forma alguma. É evidente que isso não seria aceitável. Mas será difícil que professores recusem uma avaliação em cuja definição tenham participado e que esteja alinhada com grandes objectivos estratégicos em cuja definição também participaram. Seria possível fazê-lo, mas essa recusa revestir-se-ia de uma evidente má-fé. E, tal como as coisas se estão a passar, os cidadãos não podem deixar de encontrar razões nos protestos dos professores. A ministra perdeu os professores sem ganhar os pais.
Um processo de avaliação, para não se descredibilizar e não se cobrir de ridículo, deve ser próximo do irrepreensível. Deve ser concebido e posto em prática de forma participada e competente. Deve possuir mecanismos eficazes de monitorização, discussão e feedback. Deve ter mecanismos de reconhecimento e correcção dos erros. Deve ser ele próprio monitorizado e avaliado. E nada disto exclui autoridade (pelo contrário) em todos os passos do processo. Acontece que este processo de avaliação não é nada disso. A oportunidade já se perdeu - quer a ministra recue mais, avance ou fique onde está. Quer a ministra ganhe ou perca, o país perdeu. O pecado mortal deste processo é que deu um mau nome ao conceito e tornou mais difícil pôr em prática, no futuro, um processo justo e exigente de avaliação. Jornalista (jvm@publico.pt)
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Avaliação: a oportunidade já está perdida
PÚBLICO, José Vítor Malheiros - 2008/11/18
A avaliação tem de existir prioritariamente para garantir que a prática das escolas corresponde aos desejos da sociedadeÉprovável que nunca país algum tenha discutido tanto a avaliação dos seus professores como Portugal. Em geral, estes processos apenas interessam os elementos mais militantes da profissão em causa mas, no nosso caso, centenas de professores, pais, comentadores e políticos sentiram-se obrigados a lançar-se na leitura de portarias e decretos regulamentares. O que poderia ser bom se não fosse extemporâneo. De facto, não estamos a discutir o que se irá fazer nem sequer o que se pode corrigir, mas a tentar compreender onde se errou, o que suscita confusão e contestação.
Vamos imaginar que nem as críticas dos sindicatos nem os protestos dos professores têm a mínima base e que as garantias do ministério merecem todo o crédito: vamos imaginar que é tudo como devia ser, que o processo de avaliação é simples e claro, que as escolas possuem autonomia para fazer a avaliação como entendam desde que obedeçam a um conjunto de princípios básicos definido pelo ministério, vamos imaginar que os avaliadores são todos idóneos. Mesmo que fosse assim... o ministério já não teria razão. E não teria razão porque não se pode fazer uma avaliação de um corpo profissional contra o sentimento desse corpo profissional. Não se pode avaliar os professores usando critérios que os professores recusam, não se pode avaliar os professores usando avaliadores que os professores não reconhecem ou usando avaliadores que apenas o são a contragosto. Ou melhor: pode-se, mas não serve para nada.
E não serve para nada porque a avaliação não existe (não deve existir) prioritariamente para decidir da progressão na carreira dos professores, mas sim para garantir que a prática dos professores e das escolas corresponde àquilo que a sociedade pretende e que essa prática vai sendo progressivamente melhorada com o reforço das boas práticas e o abandono das más.
Quando os professores recusam os critérios da avaliação, ou estão a recusar os objectivos da educação (caso haja alinhamento entre avaliação e estratégia) ou estão a recusar uma avaliação divorciada da estratégia (caso não haja aquele alinhamento). E ambas as situações são trágicas. Porque a estratégia, a prática dos professores e os critérios da avaliação devem obedecer a uma mesma orientação geral.
Pode-se dizer: a verdade é que os professores recusam esta avaliação porque não querem ser avaliados de forma alguma. É evidente que isso não seria aceitável. Mas será difícil que professores recusem uma avaliação em cuja definição tenham participado e que esteja alinhada com grandes objectivos estratégicos em cuja definição também participaram. Seria possível fazê-lo, mas essa recusa revestir-se-ia de uma evidente má-fé. E, tal como as coisas se estão a passar, os cidadãos não podem deixar de encontrar razões nos protestos dos professores. A ministra perdeu os professores sem ganhar os pais.
Um processo de avaliação, para não se descredibilizar e não se cobrir de ridículo, deve ser próximo do irrepreensível. Deve ser concebido e posto em prática de forma participada e competente. Deve possuir mecanismos eficazes de monitorização, discussão e feedback. Deve ter mecanismos de reconhecimento e correcção dos erros. Deve ser ele próprio monitorizado e avaliado. E nada disto exclui autoridade (pelo contrário) em todos os passos do processo. Acontece que este processo de avaliação não é nada disso. A oportunidade já se perdeu - quer a ministra recue mais, avance ou fique onde está. Quer a ministra ganhe ou perca, o país perdeu. O pecado mortal deste processo é que deu um mau nome ao conceito e tornou mais difícil pôr em prática, no futuro, um processo justo e exigente de avaliação. Jornalista (jvm@publico.pt)
sexta-feira, novembro 14, 2008
Soeur Emmanuelle - Uma pessoa extraordinária
Outros vídeos com interesse:
http://br.youtube.com/watch?v=y1ZzEV1K7JA
http://br.youtube.com/watch?v=IvHQAvWzPkU&feature=related
terça-feira, novembro 11, 2008
Magalhães: Uma falsa questão?
Um amigo meu escreveu este artigo ... o seu poder de antecipação é o resultado do conhecimento que ele tem do que se passa nas nossas escolas, com os seus colegas professores, os alunos e as suas famílias...
A ler!
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=6442
segunda-feira, novembro 10, 2008
Dar a volta ...
http://www.apagina.pt/arquivo/Artigo.asp?ID=6398
Este interessante artigo leva-me a partilhar algumas questões com que tenho andado às voltas ...
Obama ganhou as eleições nos EUA. Os motivos e as mensagens de esperança num mundo melhor multiplicam-se ... http://www.avaaz.org/po/ ...
Como professores, profissionais da educação, e como pessoas, não conseguimos dar a volta às burocracias do nosso quotidiano?
Não conseguimos centrar-nos no que é ser professor? ... no que queremos ser como professores e a partir d'aí (re)interpretar toda a legislação que nos regula?
Não diz o estatuto da carreira docente que o professor tem liberdade e é o único responsável pelas suas opções pedagógicas?
Porque dependemos tanto das emanações centrais (do Ministério, das DRE, dos CE's) e as (re)interpretamos como sendo "mais papistas do que o papa"? ... estamos à espera que alguém nos venha dizer como é que devemos ser professores?
Perante quem queremos ser "bons alunos" e "ficar bem na fotografia"?
Não somos todos adultos, profissionais, que sabem fazer opções e, a partir d'aí, extrair, assumindo, as respectivas consequências?
... e o que tem a onda de óptimismo de Obama a ver com tudo isto? ... apenas como que um convite a olhar para o lado e não só para o respectivo umbigo... mas poderão d'aí advir outras consequências ...
Este interessante artigo leva-me a partilhar algumas questões com que tenho andado às voltas ...
Obama ganhou as eleições nos EUA. Os motivos e as mensagens de esperança num mundo melhor multiplicam-se ... http://www.avaaz.org/po/ ...
Como professores, profissionais da educação, e como pessoas, não conseguimos dar a volta às burocracias do nosso quotidiano?
Não conseguimos centrar-nos no que é ser professor? ... no que queremos ser como professores e a partir d'aí (re)interpretar toda a legislação que nos regula?
Não diz o estatuto da carreira docente que o professor tem liberdade e é o único responsável pelas suas opções pedagógicas?
Porque dependemos tanto das emanações centrais (do Ministério, das DRE, dos CE's) e as (re)interpretamos como sendo "mais papistas do que o papa"? ... estamos à espera que alguém nos venha dizer como é que devemos ser professores?
Perante quem queremos ser "bons alunos" e "ficar bem na fotografia"?
Não somos todos adultos, profissionais, que sabem fazer opções e, a partir d'aí, extrair, assumindo, as respectivas consequências?
... e o que tem a onda de óptimismo de Obama a ver com tudo isto? ... apenas como que um convite a olhar para o lado e não só para o respectivo umbigo... mas poderão d'aí advir outras consequências ...
O programa Media Smart nas escolas portuguesas
Uma iniciativa que faz pensar e que será certamente interessante acompanhar.
Partilho convosco algumas questões que se me levantam ...
Onde páram as iniciativas realizadas há já alguns anos no âmbito da defesa do consumidor e da Educação para os Media?
Que atenção deverá dar o Ministério da Educação, na definição dos currículos nacionais, a este tipo de problemáticas?
O que significa esta dispersão de iniciativas?
Habituei-me a ver as empresas sempre com uma grande preocupação no lucro imediato, nas mais valias a curto prazo, sabendo nós que a educação e a sensibilização são "corridas de fundo", isto é, investimentos a médio e longo prazo, que ganhos trazem iniciativas no âmbito da "responsabilidade social" para o mundo empresarial?
O que mudou na sua forma de encarar os investimentos de curto prazo?
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
O programa Media Smart nas escolas portuguesas
PÚBLICO, 10/11/2008 - Manuel Rangel
Iniciativa da Associação Portuguesa de Anunciantes, o programa está à disposição das escolas que queiram aderirLonge vai o tempo em que à escola se pedia apenas que ensinasse os alunos a "ler, escrever e contar", no sentido mais restrito desses termos. Hoje, aquilo que se lhe pede é bem diferente. Pede-se-lhe que encare os seus alunos como cidadãos de corpo inteiro, e para isso que a sua formação assente na compreensão do mundo e da sociedade em que vivem, para nela poderem intervir de modo mais informado, seguro, crítico e responsável. Ambição com longa história, esta visão alargada do papel da escola ganha maior e mais generalizada força com o famoso relatório de Jacques Delors, realizado para a UNESCO, e publicado em 1996, sobre a Educação para o Séc. XXI. Postulando que a educação de cada indivíduo assenta em quatro pilares fundamentais - aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver com os outros; e aprender a ser - a comissão responsável pelo relatório considera que a educação deve surgir como "um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos, do saber fazer, mas também e talvez em primeiro lugar, como uma via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações". Em suma, o que se pede hoje à escola é que enquadre as aprendizagens instrumentais básicas num processo mais global, que é o da formação de um cidadão esclarecido, de pleno direito, capaz de entender o mundo, de o reinterpretar, de tomar opções e intervir sobre ele de forma própria e responsável. Mas à escola - lugar alvo, hoje, de tantos e tão exigentes pedidos - também se pede que trace, ela própria, o seu caminho, que encontre os melhores meios, que adapte programas e saiba gerir recursos, próprios e da comunidade, para cumprir tão ambiciosos objectivos. Que ela própria, promotora de autonomia, seja mais autónoma na procura de respostas para a complexa e abrangente missão que lhe cabe na formação desse cidadão idealizado. É na confluência destas duas perspectivas que se enquadra o programa Media Smart. Enquanto programa de literacia para a publicidade, o Media Smart constitui-se como um precioso instrumento pedagógico de domínio de uma linguagem com enorme alcance e influência sobre a vida das crianças e jovens actuais. Com ele se pretende que as crianças e jovens "desenvolvam competências para uma correcta interpretação das mensagens publicitárias", comerciais ou não; adquiram "ferramentas que as ajudem a compreender e interpretar a publicidade" e, sobretudo, "desenvolvam o seu sentido crítico em relação a essas mensagens, reforçando a sua capacidade de análise e desconstrução das mesmas". Roberto Carneiro, presidente do grupo de peritos que apoia a implementação do programa em Portugal, aquando do seu lançamento referia que "a publicidade torrencial, intrusiva, que invade o quotidiano da criança e do adulto é matéria que não pode continuar a ser ignorada na reflexão crítica que a escola quer - e deve - levar a cabo sobre a cidade contemporânea". Assim, "todo o investimento na escola e numa educação cidadã, verdadeiramente empenhada na formação de cidadãos livres, capazes de realizar escolhas criteriosas, com sentido crítico sobre a vida da cidade, dotados de competências básicas de interpretação autónoma dos fenómenos da complexidade comunicacional, numa sociedade cada vez mais mediática, tem de ser prioritário". Do ponto de vista "institucional", trata-se também de um programa inovador entre nós. Desde logo, na sua origem: o programa surge da iniciativa da "sociedade civil" e das suas organizações - no caso a Associação Portuguesa de Anunciantes. Surge, portanto, como um programa de "responsabilidade social", posto à disposição das escolas e professores que a ele queiram aderir voluntariamente e que o deverão adaptar ao seu próprio projecto e realidade (social e organizacional). Mas o programa é, ainda, inovador na perspectiva dos métodos e das actividades que propõe, dos materiais que disponibiliza e das ligações a que faz apelo (em especial, o apelo à participação dos pais e abertura à comunidade e à vida real, para além da escola).
O Media Smart é, pois, um convite e um desafio lançado às escolas e aos professores. Mas é também, e simultaneamente, um precioso apoio e suporte para todos aqueles que queiram tomar em suas próprias mãos a difícil mas aliciante tarefa de contribuir para a formação das novas gerações na perspectiva apontada. Tendo o programa por lema "Para um público esperto, um olhar mais desperto", tenhamos a consciência e convicção de que, ao contribuirmos para a criação de "públicos cada vez mais despertos", estaremos também a contribuir para ter, socialmente, "olhares cada vez mais espertos". Professor e Especialista em Educação Básica. Perito do Grupo Programa Media Smart
Partilho convosco algumas questões que se me levantam ...
Onde páram as iniciativas realizadas há já alguns anos no âmbito da defesa do consumidor e da Educação para os Media?
Que atenção deverá dar o Ministério da Educação, na definição dos currículos nacionais, a este tipo de problemáticas?
O que significa esta dispersão de iniciativas?
Habituei-me a ver as empresas sempre com uma grande preocupação no lucro imediato, nas mais valias a curto prazo, sabendo nós que a educação e a sensibilização são "corridas de fundo", isto é, investimentos a médio e longo prazo, que ganhos trazem iniciativas no âmbito da "responsabilidade social" para o mundo empresarial?
O que mudou na sua forma de encarar os investimentos de curto prazo?
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
O programa Media Smart nas escolas portuguesas
PÚBLICO, 10/11/2008 - Manuel Rangel
Iniciativa da Associação Portuguesa de Anunciantes, o programa está à disposição das escolas que queiram aderirLonge vai o tempo em que à escola se pedia apenas que ensinasse os alunos a "ler, escrever e contar", no sentido mais restrito desses termos. Hoje, aquilo que se lhe pede é bem diferente. Pede-se-lhe que encare os seus alunos como cidadãos de corpo inteiro, e para isso que a sua formação assente na compreensão do mundo e da sociedade em que vivem, para nela poderem intervir de modo mais informado, seguro, crítico e responsável. Ambição com longa história, esta visão alargada do papel da escola ganha maior e mais generalizada força com o famoso relatório de Jacques Delors, realizado para a UNESCO, e publicado em 1996, sobre a Educação para o Séc. XXI. Postulando que a educação de cada indivíduo assenta em quatro pilares fundamentais - aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver com os outros; e aprender a ser - a comissão responsável pelo relatório considera que a educação deve surgir como "um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos, do saber fazer, mas também e talvez em primeiro lugar, como uma via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos, grupos e nações". Em suma, o que se pede hoje à escola é que enquadre as aprendizagens instrumentais básicas num processo mais global, que é o da formação de um cidadão esclarecido, de pleno direito, capaz de entender o mundo, de o reinterpretar, de tomar opções e intervir sobre ele de forma própria e responsável. Mas à escola - lugar alvo, hoje, de tantos e tão exigentes pedidos - também se pede que trace, ela própria, o seu caminho, que encontre os melhores meios, que adapte programas e saiba gerir recursos, próprios e da comunidade, para cumprir tão ambiciosos objectivos. Que ela própria, promotora de autonomia, seja mais autónoma na procura de respostas para a complexa e abrangente missão que lhe cabe na formação desse cidadão idealizado. É na confluência destas duas perspectivas que se enquadra o programa Media Smart. Enquanto programa de literacia para a publicidade, o Media Smart constitui-se como um precioso instrumento pedagógico de domínio de uma linguagem com enorme alcance e influência sobre a vida das crianças e jovens actuais. Com ele se pretende que as crianças e jovens "desenvolvam competências para uma correcta interpretação das mensagens publicitárias", comerciais ou não; adquiram "ferramentas que as ajudem a compreender e interpretar a publicidade" e, sobretudo, "desenvolvam o seu sentido crítico em relação a essas mensagens, reforçando a sua capacidade de análise e desconstrução das mesmas". Roberto Carneiro, presidente do grupo de peritos que apoia a implementação do programa em Portugal, aquando do seu lançamento referia que "a publicidade torrencial, intrusiva, que invade o quotidiano da criança e do adulto é matéria que não pode continuar a ser ignorada na reflexão crítica que a escola quer - e deve - levar a cabo sobre a cidade contemporânea". Assim, "todo o investimento na escola e numa educação cidadã, verdadeiramente empenhada na formação de cidadãos livres, capazes de realizar escolhas criteriosas, com sentido crítico sobre a vida da cidade, dotados de competências básicas de interpretação autónoma dos fenómenos da complexidade comunicacional, numa sociedade cada vez mais mediática, tem de ser prioritário". Do ponto de vista "institucional", trata-se também de um programa inovador entre nós. Desde logo, na sua origem: o programa surge da iniciativa da "sociedade civil" e das suas organizações - no caso a Associação Portuguesa de Anunciantes. Surge, portanto, como um programa de "responsabilidade social", posto à disposição das escolas e professores que a ele queiram aderir voluntariamente e que o deverão adaptar ao seu próprio projecto e realidade (social e organizacional). Mas o programa é, ainda, inovador na perspectiva dos métodos e das actividades que propõe, dos materiais que disponibiliza e das ligações a que faz apelo (em especial, o apelo à participação dos pais e abertura à comunidade e à vida real, para além da escola).
O Media Smart é, pois, um convite e um desafio lançado às escolas e aos professores. Mas é também, e simultaneamente, um precioso apoio e suporte para todos aqueles que queiram tomar em suas próprias mãos a difícil mas aliciante tarefa de contribuir para a formação das novas gerações na perspectiva apontada. Tendo o programa por lema "Para um público esperto, um olhar mais desperto", tenhamos a consciência e convicção de que, ao contribuirmos para a criação de "públicos cada vez mais despertos", estaremos também a contribuir para ter, socialmente, "olhares cada vez mais espertos". Professor e Especialista em Educação Básica. Perito do Grupo Programa Media Smart
domingo, novembro 09, 2008
A Turma
Ainda não consegui ver este filme, mas a minha vontade de o ver aumenta depois de ler a crónica de Daniel Sampaio na PÚBLICA de hoje.
Como poderá alguém imaginar, ainda hoje (no nosso tempo), que ser professor, do ensino básico, secundário ou superior, é passar acetatos acompanhando-os de um discurso unidireccional, perante uma turma de 25-35 alunos? O que se aprende assim?
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
A(s) turma(s)
PÚBLICA, 9/11/2008, Daniel Sampaio
que mais impressiona no filme A Turma, de Laurent Cantet, é o impasse a que chegou a escola dos nossos dias. Dar aulas no básico ou secundário é hoje um permanente desafio que só é resolvido (em parte) por professores com muito amor ao que fazem e com a sorte de trabalhar em escolas que ousam inovar todos os dias.
A Turma mostra-nos como a improvisação constante é a única maneira de sobreviver ao caos, embora também nos faça pensar como é cada vez mais importante planificar. Nada de contraditório: é preciso planificar em termos de conjunto - a turma que o professor vai encontrar no dia seguinte - mas o mestre tem de estar disponível para responder de imediato à retroacção trazida pelos alunos em todos os momentos da aula. Por isso, o professor do filme decerto prepara as suas lições, mas tem de ter resposta pronta e improvisar: nunca o vemos calado ou a evitar as questões e a sua relação muito viva com os estudantes permite, apesar de todas as dificuldades, manter a classe a funcionar. Improvisar é isso mesmo, a demonstração permanente da capacidade de modificar planos e actividades em resposta às reacções dos alunos, mantendo-os despertos e participativos.
A heterogeneidade da turma do filme parece ser fonte de inspiração para o docente, que consegue com mais ou menos sucesso relacionar-se com todos, na procura constante de soluções para uma das tarefas fundamentais da escola de hoje: a da inclusão. O professor Bégaudeau mostra como a preocupação em incluir é a única forma de percorrer na escola um caminho de dignidade, porque por certo já chegou à conclusão de que todos os alunos têm capacidade de contribuir para a respectiva aprendizagem. E também se evidencia no filme como é imperioso trabalhar na sala de aula com formas diferentes das tradicionais: já imaginaram o que sucederia naquela turma se o professor falasse sem parar durante 90 minutos, apontando com o dedo uma transparência iluminada pelo velho retroprojector, como vemos ainda em tantas das nossas aulas?
Nalgumas discussões sobre A Turma promovidas pela imprensa portuguesa, impressiona verificar como estudantes, pais e professores se apressam a dizer que por cá as coisas estão melhor, porque jamais se perguntaria se um professor é homossexual; muitos dizem que em Portugal não há tantos jovens na escola com origens diferentes, nem se poderia encontrar um professor "ao nível" dos alunos, como nas discussões patentes no filme. Quem assim fala desconhece as dificuldades dos nossos professores, ignora as turmas com estudantes de nacionalidades diferentes que mal falam português, ou faz de conta perante os inúmeros problemas sociais e familiares que muitos alunos trazem para a sala de aula. Pior: acredita que a autoridade do professor se pode construir "de cima para baixo", porque é imanente à própria condição docente. Grande equívoco: o que este filme exemplarmente demonstra é que o professor se coloca num nível diferente, porque usa o diálogo, a ironia e a provocação da gente nova como um meio de relacionamento, sem esquecer que o respeito recíproco é um dos ingredientes essenciais para ser ouvido. E neste sentido ele está noutro nível (se quisermos num nível meta, de metacomunicar, isto é, está sempre a comunicar sobre a comunicação dos jovens), o que lhe permite encontrar soluções, mesmo se para isso tiver de errar e corrigir os erros.
O impasse da escola actual resulta de se encontrar esgotado o modelo tradicional de ensinar, organizado para instruir o aluno médio e com razoável motivação. Muitos dos estudantes das nossas salas de aula estão lá por obrigação ou porque não encontram nada melhor para fazer: por isso o único caminho terá de ser o de promover uma análise detalhada dos componentes curriculares, de modo a definir o que deve ser comum a todos e quais os elementos que necessitam ser modificados para responder às necessidades dos alunos com mais problemas, num ambiente de trabalho exigente e cooperativo, onde a autoridade do professor (que jamais poderá ser posta em causa) se construa na relação (como no filme).
Alguns espectadores portugueses ficam chocados quando os alunos relatam, no final do ano lectivo, o pouco que aprenderam: não é esta a grande questão, por certo mais importante do que a avaliação dos docentes que paralisa as nossas escolas?
Como poderá alguém imaginar, ainda hoje (no nosso tempo), que ser professor, do ensino básico, secundário ou superior, é passar acetatos acompanhando-os de um discurso unidireccional, perante uma turma de 25-35 alunos? O que se aprende assim?
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
A(s) turma(s)
PÚBLICA, 9/11/2008, Daniel Sampaio
que mais impressiona no filme A Turma, de Laurent Cantet, é o impasse a que chegou a escola dos nossos dias. Dar aulas no básico ou secundário é hoje um permanente desafio que só é resolvido (em parte) por professores com muito amor ao que fazem e com a sorte de trabalhar em escolas que ousam inovar todos os dias.
A Turma mostra-nos como a improvisação constante é a única maneira de sobreviver ao caos, embora também nos faça pensar como é cada vez mais importante planificar. Nada de contraditório: é preciso planificar em termos de conjunto - a turma que o professor vai encontrar no dia seguinte - mas o mestre tem de estar disponível para responder de imediato à retroacção trazida pelos alunos em todos os momentos da aula. Por isso, o professor do filme decerto prepara as suas lições, mas tem de ter resposta pronta e improvisar: nunca o vemos calado ou a evitar as questões e a sua relação muito viva com os estudantes permite, apesar de todas as dificuldades, manter a classe a funcionar. Improvisar é isso mesmo, a demonstração permanente da capacidade de modificar planos e actividades em resposta às reacções dos alunos, mantendo-os despertos e participativos.
A heterogeneidade da turma do filme parece ser fonte de inspiração para o docente, que consegue com mais ou menos sucesso relacionar-se com todos, na procura constante de soluções para uma das tarefas fundamentais da escola de hoje: a da inclusão. O professor Bégaudeau mostra como a preocupação em incluir é a única forma de percorrer na escola um caminho de dignidade, porque por certo já chegou à conclusão de que todos os alunos têm capacidade de contribuir para a respectiva aprendizagem. E também se evidencia no filme como é imperioso trabalhar na sala de aula com formas diferentes das tradicionais: já imaginaram o que sucederia naquela turma se o professor falasse sem parar durante 90 minutos, apontando com o dedo uma transparência iluminada pelo velho retroprojector, como vemos ainda em tantas das nossas aulas?
Nalgumas discussões sobre A Turma promovidas pela imprensa portuguesa, impressiona verificar como estudantes, pais e professores se apressam a dizer que por cá as coisas estão melhor, porque jamais se perguntaria se um professor é homossexual; muitos dizem que em Portugal não há tantos jovens na escola com origens diferentes, nem se poderia encontrar um professor "ao nível" dos alunos, como nas discussões patentes no filme. Quem assim fala desconhece as dificuldades dos nossos professores, ignora as turmas com estudantes de nacionalidades diferentes que mal falam português, ou faz de conta perante os inúmeros problemas sociais e familiares que muitos alunos trazem para a sala de aula. Pior: acredita que a autoridade do professor se pode construir "de cima para baixo", porque é imanente à própria condição docente. Grande equívoco: o que este filme exemplarmente demonstra é que o professor se coloca num nível diferente, porque usa o diálogo, a ironia e a provocação da gente nova como um meio de relacionamento, sem esquecer que o respeito recíproco é um dos ingredientes essenciais para ser ouvido. E neste sentido ele está noutro nível (se quisermos num nível meta, de metacomunicar, isto é, está sempre a comunicar sobre a comunicação dos jovens), o que lhe permite encontrar soluções, mesmo se para isso tiver de errar e corrigir os erros.
O impasse da escola actual resulta de se encontrar esgotado o modelo tradicional de ensinar, organizado para instruir o aluno médio e com razoável motivação. Muitos dos estudantes das nossas salas de aula estão lá por obrigação ou porque não encontram nada melhor para fazer: por isso o único caminho terá de ser o de promover uma análise detalhada dos componentes curriculares, de modo a definir o que deve ser comum a todos e quais os elementos que necessitam ser modificados para responder às necessidades dos alunos com mais problemas, num ambiente de trabalho exigente e cooperativo, onde a autoridade do professor (que jamais poderá ser posta em causa) se construa na relação (como no filme).
Alguns espectadores portugueses ficam chocados quando os alunos relatam, no final do ano lectivo, o pouco que aprenderam: não é esta a grande questão, por certo mais importante do que a avaliação dos docentes que paralisa as nossas escolas?
quinta-feira, novembro 06, 2008
Discurso de Vitória - Barak Obama
Que Deus, os homens e as mulheres que o rodeiam, mais perto ou mais longe, mais ricos ou mais pobres, os que detém o poder ... o oiçam!!
:::::::::::::::::::::::::::::::
PÚBLICO - última hora
Tradução
Obama: O discurso de vitória
05.11.2008 - 20h24
Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença.
É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.
É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia.
Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América.
Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta.
Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama.
Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites.
Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.
E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir.
Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América
Tradução de Mª João Batalha Reis
:::::::::::::::::::::::::::::::
PÚBLICO - última hora
Tradução
Obama: O discurso de vitória
05.11.2008 - 20h24
Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.
É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença.
É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.
Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.
É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia.
Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América.
Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.
O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta.
Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.
Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama.
Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.
E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites.
Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.
E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.
E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.
Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir.
Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.
Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.
Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.
Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.
Esta vitória é vossa.
E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.
Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.
Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.
Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.
Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.
O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.
Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.
Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.
Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.
Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.
Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.
Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.
Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.
Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.
Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.
Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.
São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.
Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.
E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.
E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.
Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.
É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.
Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.
Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.
E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.
Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.
Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.
Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.
Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.
Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.
E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.
Sim, podemos.
América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?
Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento.
Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.
Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América
Tradução de Mª João Batalha Reis
terça-feira, novembro 04, 2008
«As sociedade também se apaixonam, depois deprimem-se ...»
No momento em que se começam a conhecer os primeiros resultados das eleições nos Estados Unidos, lembrei-me de um texto que redescobri há poucos dias:
«Les sociétés aussi tombent amoureuses, puis dépriment... de Patrick Viveret - http://www.nouvellescles.com/article.php3?id_article=1462&var_recherche=soci%E8t%E9s+amoureuses
«Les sociétés aussi tombent amoureuses, puis dépriment... de Patrick Viveret - http://www.nouvellescles.com/article.php3?id_article=1462&var_recherche=soci%E8t%E9s+amoureuses
Subscrever:
Mensagens (Atom)