sábado, julho 28, 2007

Plano Tecnológico da Educação ...

O Plano Tecnológico da Educação e a forma como foi anunciado têm-me feito pensar ... http://www.escola.gov.pt/...

Já não acredito no Pai Natal há muitos anos e muito menos em passes de "magia" ...

Claro ... "sem ovos não se fazem omeletes" ...

Mas em situações como esta costumo citar um amigo de há muitos anos que diz: "Quem não vive como pensa, acaba a pensar como vive!" ... É por isso que o modo como falamos e apresentamos as nossas ideias e propostas acabam por ser determinantes, tanto mais quando essas são as ideias de uma política, de um Ministério, num país de cariz centralizador como é o nosso ...

Que visão de Escola nos é apresentado neste Plano Tecnológico da Educação, que visa colocar a escola portuguesa entre as 5 mais bem apetrechadas da Europa? ... será pelo apetrechamento que lá vamos?

... para que serve toda esta "parafernália" tecnológica se não for assente numa visão da escola mais aberta, menos associada ao modelo industrial (do "a todos como a um só") e mais "construtivista", em que os alunos trabalham de forma empenhada em diversos projectos de aprendizagem que lhes dizem directamente respeito, a si, aos seus amigos e colegas, às suas famílias ou comunidades de pertença?

... como é que um plano deste tipo pode visar a "uniformização dos critérios de avaliação e dos ritmos de aprendizagem" (http://www.escola.gov.pt/projectos_ae.htm) na sociedade da informação e do conhecimento? ... Esta é uma associação que se faz por excelência ao desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, à globalização - o que implica vivermos actualmente em sociedades multiculturais, ricas em diferenças e originalidades ... Ou será que se pretende acentuar a visão normalizadora da Escola, um dos principais factores de insucesso e abandono escolar há muito identificado pela investigação, nomeadamente a sociologia da educação? ... não será esta uma contradição flagrante com a diversidade de vias criadas com as Novas Oportunidades e todos os restantes cursos tecnológicos e profissionalizantes do ensino secundário? ... terá havido um esquecimento relativamente ao modo como a avaliação é a "pedra de toque" e é determinante de todos os processos de ensino e aprendizagem que lhe estão a jusante?

A forma como este Plano vai melhorar as aprendizagens dos alunos portugueses tem que merecer a interrogação e a reflexão de todos os actores educativos, nomeadamente daqueles que mais directamente vão estar envolvidos, alunos e professores ...

As tecnologias já chegaram às escolas portuguesas há mais de 20 anos e não se pode fazer tábua rasa de todo o "know-how" que foi sendo acumulado ... temos é que nos questionar como é que o vamos potenciar ...

Porque se dá um tão grande destaque aos quadros interactivos? ... aqueles que fazem com que os alunos estejam todos, ao mesmo tempo, centrados no espaço "sagrado" da sala de aula, aquele que habitualmente é o espaço do professor? ... de tudo quanto já vi - salas de aulas à média luz, alunos sem sequer conseguirem escrever nos cadernos por falta de luz, apenas a prestarem atenção ao que se passa no quadro ... é este o tipo de trabalho que queremos que as nossas crianças e jovens façam no futuro: que se deixem facilmente hipnotisar por qualquer "gadget" tecnológico ou novidade /moda civilizacional? ... a quem aproveitaria tal situação?

O 1ºCEB que, agora não aparece referido explicitamente, foi ao longo dos anos, muito inspirador para os restantes ciclos no que respeita à introdução das tecnologias na Escola, na sala de aula, de forma mais inovadora e pertinente para os processos de ensino e aprendizagem - apetece perguntar: a quem interessa esquecer este nível de ensino e o papel que tem desempenhado neste âmbito? Alguém pretende criar um ensino básico de 1ª e outro de 2ª? ... Quem duvida que os primeiros anos de escola e o que neles se aprende (vive) é determinante de percursos escolares, pessoais, sociais e profissionais?

Que lugar podem ter as TIC numa escola como esta? - http://web.educom.pt/margaridabelchior/MEM_breve.htm

E que lugar têm numa escola como esta? - http://web.educom.pt/turmadopascal/01/

Se o anúncio deste Plano Tecnológico da Educação pode ser considerado como um sinal positivo do investimento que este governo considera ser necessário fazer na Educação, então por que razão se esquece o 1ºCEB? Este é também um sinal que se dá ao país e aos responsáveis pelos recursos tecnológicos neste nível de ensino, as autarquias.

Parece que as medidas políticas de massificação que se anunciam têm que ser anunciadas da forma mais redutora possível ... não será isto o nivelar por baixo que há tanto tempo se crítica? ... afinal quem deve dar o exemplo?

Já em 1963, Mª Amália Borges de Medeiros dizia:

«A pedagogia é una, não há uma pedagogia para o cego, outra para o débil motor e outra para o atrasado mental» (Mª Amália Borges de Medeiros, 1963, citada por
Fernandes, 1998, p. 33).


Alguém consegue descobrir as semelhanças e as diferenças entre o que se diz no Plano Tecnológico da Educação e o que se diz neste pequeno texto que considero levantar questões muito pertinentes?

http://inquietacaopedagogica.blogspot.com/2007/07/propsito-dos-computadores.html


Tudo isto me tem feito pensar ... (ainda há muito mais coisas a interrogar e a questionar, mas hoje vou ficar-me por aqui ...)

As Tic na Escola

«(...)

«Para Estanque (2002), o desenvolvimento tecnológico sempre correspondeu a necessidades pré-existentes, no entanto ele "nunca é nem um puro meio, nem um puro fim da actividade social".

«Este investigador sublinha o facto de as tecnologias, tal como todos os artefactos materiais (bens, utensílios, recurso, técnicas ou mesmo elementos da natureza) "uma vez apropriados ou marcados pela presença humana, pelos efeitos da cultura, ganham um novo alcance no plano simbólico e das subjectividades" revestindo-se de múltiplos significados. É também por dimensões de tipo simbólico que passam os efeitos sociais e as implicações das tecnologias.

«O desenvolvimento tecnológico, nomeadamente no que se refere às Tecnologias da Informação e Comunicação (T.I.C.), colocou a humanidade (ou parte desta) na era da comunicação universal (Delors, 1996). O acesso a informações rigorosas e actualizadas a partir de qualquer parte do mundo, as potencialidades proporcionadas pela interactividade, no que se refere à partilha e troca de informações e conhecimentos, à capacidade de discutir e debater, estes são aspectos que nos aproximam enquanto seres humanos, em que as T.I.C. desempenham um papel fulcral, encurtando a distância e o tempo, e abrindo novas oportunidades de colaboração e de construção em conjunto.

«Apesar de apontar para esta "Utopia necessária", o relatório "Educação – um tesouro a descobrir" (Delors, 1996), não deixa de alertar para todos os aspectos que constituem o outro lado da moeda, ou seja, o facto de mais de metade da população mundial não ter ainda acesso aos serviços telefónicos, o preço demasiado elevado dos sistemas de informação, os interesses associados a um poder cultural e político (isto é, o quase monopólio das indústrias culturais) e a difusão mundial dos produtos que fabricam, são factores que ameaçam as especificidades culturais, provocando o consequente "sentimento de espoliação e perda de identidade".

«Mencionar as potencialidades, as utopias com que o desenvolvimento tecnológico nos faz sonhar, mas também as suas «sombras» e os lados mais ocultos, reconhecer o papel que hoje as tecnologias de informação e comunicação têm nos mais variados sectores das sociedades ocidentais, na minha perspectiva, significa também chamar a atenção para o papel que instituições como a Escola têm na promoção da utilização destes meios, mas também no modo como estes devem ser olhados critica e reflexivamente.»

Belchior, M. (2004). Desenvolvimento Profissional e Aprendizagem dos professores do 1ºCEB - contributos para uma reflexão sobre a aprendizagem como prática social - Tese de Mestrado apresentada ao Departamento de Educação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - http://web.educom.pt/margaridabelchior/Tese/Final_050417.pdf

quinta-feira, julho 12, 2007

Aconteceu ... Dia do Software Livre na Escola

Foi no dia - 5 Julho 2007
... promovido pelo Ministério da Educação (Equipa CRIE/DGIDC): http://softlivre.ccarrabida.net/documentos.html
Este evento, que foi difundido via web para todos os interessados que não puderam deslocar-se à Escola Secundária de Palmela, revestiu-se de um grande significado pois, pela primeira vez, foi possível mostrar o esforço que está a ser feito pelo Ministério da Educação e por muitas escolas do país, para criar uma alternativa ao monopólio de software proprietário e para reduzir os custos com as respectivas licenças. Foram relatadas experiências, foi demonstrado o know-how já existente pelos vários actores ali representados: professores, empresas, associações e universidades. O software e os serviços disponivéis, em diversas dimensões da actividade das escolas, mostram como as alternativas e o respectivo desenvolvimento/aperfeiçoamento, com os contributos de muitos entusiastas e de diversas entidades, estão já em marcha. Para saber mais, basta carregar no link acima disponibilizado.
As mudanças estão aí ...

sábado, julho 07, 2007

Pós-gradução Internacional em Educação Holística - a não perder!

... a não perder!



Tal como as flores no deserto...

Também promovida pela UNIPAZ e segundo os mesmos princípios e orientações, esta pós-gradução tem como publico preferencial os educadores, professores e formadores de todos os níveis de ensino.

Para saber mais:
http://www.unipaz.pt/formacao/pginternacional.htm

Formação Holística de Base - UNIPAZ

Esta é uma formação holística, global, da pessoa, numa perspectiva transdisciplinar e vivencial, de acordo com um novo paradigma em que se integram a dimensão individual, social e natural (de natureza!) da VIDA. Trata-se de ir além do racional e aprender a valorizar (e a viver com) os sentimentos, as emoções e as intuições, abordagem ancorada em C.Jung, P. Weil, R. Crema e J-Y Leloup.

Para saber mais: http://www.unipaz.pt/formacao/introducao.htm